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Cada vez mais venezuelanos procuram Portugal

Cada vez chegam mais venezuelanos a Portugal, que fogem da instabilidade e insegurança no seu país, e muitos vêm em família e sem emprego, alertou hoje o responsável de uma associação de apoio a emigrantes.

© Carlos Garcia Rawlins / Reute

Há um ano, a Venexos, associação de ajuda a venezuelanos em Portugal, recebia, por semana, cerca de 30/40 mensagens de pessoas a fazer perguntas ou a dizer que queriam vir para o país. Atualmente, chegam à associação 30 mensagens por dia, disse à Lusa o seu presidente, Christian Höhn, que está em Portugal há 17 anos.

De acordo com o responsável, há cerca de 100 mil venezuelanos em Portugal (números não oficiais), dos quais mais de metade com dupla nacionalidade. O presidente da associação aponta ainda para a existência de cerca de 1.800 venezuelanos ilegais no país.

Christian Höhn participava hoje, em Lisboa, no debate "Falemos da Venezuela", promovido pelos eurodeputados José Inácio Faria (Movimento Partido da Terra) e Carlos Coelho (PSD), que coincidiu com a realização em Lisboa, no parlamento português, de uma reunião da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-americana (EuroLat), instituição parlamentar de associação estratégica entre a União Europeia e os países latino-americanos.

O presidente da Venexos afirmou que o aumento de imigrantes venezuelanos em Portugal se tem verificado nos últimos seis meses - coincidentes com o pós-eleições na Venezuela, onde se mantém um impasse desde que a oposição obteve uma vitória histórica nas eleições legislativa, em dezembro passado.

No último trimestre, chegaram a Portugal 37 famílias, "sem qualquer ligação" a Portugal: "Vieram diretamente para cá. Foi o primeiro sítio para onde conseguiram vir", descreveu, afirmando que "não é fácil ouvir a realidade destas pessoas, que são engenheiros, arquitetos, advogados, médicos, que não conseguem exercer" as suas profissões na Venezuela.

"Não tem a ver com política, tem a ver com os direitos humanos simples, que são violados todos os dias na Venezuela", alertou Christian Höhn, visivelmente emocionado.

A insegurança e os problemas económicos do país são as principais razões que levam os venezuelanos a emigrar, de acordo com o venezuelano Tomás Páez, doutorado em Planificação, que apresentou o livro "A voz da diáspora venezuelana" - estimada em 1,5 milhões de pessoas.

Para Paéz, os emigrantes são "um imenso capital" que pode ajudar à reconstrução do país.

O professor fez votos de que o apoio internacional prevaleça e que "o Eurolat e a Comissão Europeia respondam", defendendo que "os prazos do referendo sejam respeitados para que este se possa realizar e se possa sair democrática e pacificamente da situação grave em que se encontra o país", numa referência à consulta popular contra o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que a oposição reclama na Venezuela, mas que é rejeitada pelo Governo.

Também emocionado, Leopoldo López Gil, pai de Leopoldo López Mendoza, candidato presidencial do Partido Voluntad Popular, detido desde 2014, afirmou que a "Venezuela real" é o país onde as mães rezam para que os filhos cheguem a casa à noite, os jovens tiram cursos e não encontram trabalho, e as pessoas fazem filas para comprar comida e, na caixa, percebem que está tão cara que não conseguem pagar.

Mitzy Capiles, mulher do presidente da Câmara de Caracas, António Ledezma, opositor do regime de Nicolás Maduro, detido há mais de um ano, afirmou que atualmente "toda a gente se apercebe, no mundo, que já não se vive em democracia" na Venezuela.

"A tristeza com que acordamos todos os dias não se pode descrever sem lágrimas. Mas também há esperança", defendeu, garantindo que a vitória da oposição nas eleições foi "um passo espetacular".

A mulher relatou que o Governo avisou que levará à justiça os venezuelanos que falem mal do país, mas avisou: "Aqui não estamos a falar mal, estamos a falar a verdade".

José Inácio Faria afirmou que o Parlamento Europeu "pode fazer muito" pela Venezuela, mas também pediu a intervenção do Governo português, lembrando que há 1,5 milhões de portugueses e lusodescendentes naquele país.

O eurodeputado do MPT afirmou que Portugal tem "responsabilidades muito grandes" em relação àquele país, recordando que anteriores governos, como os de José Sócrates (PS), tiveram "um relacionamento muito próximo" com o ex-Presidente Hugo Chavéz e agora com o Presidente Nicolás Maduro, nomeadamente a nível económico.

"Não oiço dos nossos governantes e políticos uma palavra de apoio" perante a atual instabilidade, criticou.

Lusa

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