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Gaia quer ser ressarcida por "calúnia" feita contra festival Marés Vivas

A Câmara de Gaia divulgou hoje que irá agir judicialmente para ser ressarcida pelos danos de imagem causados pela "calúnia" feita por ambientalistas que estiveram contra a realização do festival Marés Vivas junto ao estuário do Douro.

JOSE COELHO

"Há um dano que é talvez o mais importante. O dano de imagem, que resulta da calúnia, da mentira repetida, daquilo que para muitos é a parte interior das portas da casa de banho, onde se escreve tudo o que vem à cabeça", afirmou o presidente da Câmara de Gaia.

Eduardo Vítor Rodrigues acrescentou que "para muitos o Facebook transformou-se nessa porta e tem que perceber que até no Facebook há consequências do que se escreve", referindo-se "à gente que fez todo o tipo de abordagem caluniosa, mentirosa, sabendo do que estava a dizer, pensando que não há consequências".

Um dia depois de a autarquia anunciar o regresso do festival Marés Vivas ao local dos últimos anos no Cabedelo, Eduardo Vítor Rodrigues visitou o espaço alvo de contestação no Vale de S. Paio, para mostrar que caso o evento ali decorresse "não havia impacto nenhum na reserva" do estuário do Douro.

"Foi um mito urbano, com fins políticos que o tempo tratará de provar", destacou o autarca, realçando que depois de terem sido apresentados pareceres favoráveis à escolha da câmara, "ter iniciado um debate sobre a ilegalidade do festival, contactando artistas e patrocinadores, foi claramente um ato de terrorismo contra o festival".

No final de 2015, a autarquia divulgou que o festival de verão teria de mudar de local, escolhendo um novo espaço junto à reserva do Estuário do Douro, o que motivou críticas de ambientalistas e a apresentação de duas providências cautelares pela Quercus.

Uma das ações judiciais da Quercus levou à suspensão as obras de preparação do terreno para o festival, atrasando a primeira etapa de preparação do novo Parque Urbano Municipal no Vale de S. Paio e impedindo a montagem atempada do equipamento do evento que por isso regressa ao espaço original.

"Os 'timings' do tribunal são incompatíveis com a necessidade que nós temos de intervir no local, sobretudo com um mês de paragem desta intervenção", lamentou o autarca, admitindo que se o processo fosse mais rápido, o festival poderia continuar a realizar-se no novo parque urbano, cujo regulamento permite "todo um conjunto" de eventos.

Também a Campo Aberto e o partido PAN se juntaram na última semana ao coro de críticas dos ambientalistas contra o festival junto da reserva natural do Estuário do Douro.

Para além das consequências para o concelho, o autarca referiu ainda os "impactos de bilheteira" resultantes não só da "tentativa de criar uma má imagem do festival", mas também porque o espaço no Vale de S. Paio "permitia albergar mais cinco mil pessoas" que o lugar original.

"São menos cinco mil pessoas por dia no festival", acrescentou, esclarecendo que a cedência do espaço onde agora se irá realizar o evento "nunca teve custos para o município nem para a organização".

O presidente da câmara garantiu ainda que os trabalhos de construção do novo parque urbano, que pretende integrar na rede nacional, irão agora continuar, não sendo porém possível antever a sua conclusão.

Quem também se juntou no final visita de hoje ao Vale S. Paio foi Pedro Sousa, técnico da Quercus que, por um lado, reafirmou a satisfação da associação com a decisão da autarquia e, por outro, lamentou que os trabalhos tivessem recomeçado no parque, incluindo a limpeza de espécies como os fetos.

Por causa da providência cautelar, que diz não ter ficado suspensa, o responsável disse ter chamado ao local a GNR e a PSP que, quando chegou, disse apenas ter remetido o assunto para a Polícia Municipal.

No local estiveram também membros do movimento SOS Estuário, criado em abril, que disseram estar disponíveis para "enterrar o machado de guerra" com a câmara e para "colaborar com a renaturalização do espaço" no Vale de S. Paio.

Em comunicado hoje divulgado, a associação Campo Aberto felicita a autarquia "pelo bom senso da decisão" mas "lamenta" que "a sensatez" tenha sido "só por metade" ao ter apresentado "uma série de justificações belicosas".

A 14.ª edição do Marés Vivas decorre entre os dias 14 e 16 de julho.

Lusa

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