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Presidente do Oriental diz que clube é "vítima" do processo Jogo Duplo

O presidente do Oriental disse hoje que o clube é uma das principais vítimas do chamado processo Jogo Duplo e que este é alheio a quaisquer atos ilícitos que possam ter sido cometidos por jogadores e dirigentes.

© Max Rossi / Reuters

"Estamos aqui para defender a honra, até à última gota de sangue, de uma instituição com mais de 100 anos de história. Após o último jogo da II Liga com o Atlético, que vencemos por 3-2, ficámos surpreendidos com a detenção, por parte da Polícia Judiciária, de quatro atletas nossos. Não pactuamos com quaisquer atos ilícitos", sublinhou José Nabais.

O dirigente revelou que já foi ouvido por Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, por Fernando Gomes, líder da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, presidente da Liga de clubes, e Nuno Lobo, presidente da Associação de Lisboa.

"Somos um clube de gente séria e humilde, mas temos a nossa honra a defender", adiantou José Nabais, prometendo todo o apoio possível aos quatro futebolistas visados neste processo: Rafael Veloso, André Almeida, João Pedro e Diego Tavares.

"Continuamos a ter confiança nos atletas. Custa-me a crer que um jogador como o André Almeida, que conheço muito bem, tenha cometido qualquer ato ilícito", sublinhou.

Relativamente ao jogador brasilleiro Diego Tavares, o único dos quatro que ficou detido - os outros saíram em liberdade com termos de identidade e residência -, o presidente do Oriental esclareceu: "Temos de olhar para o lado humano. Ainda hoje recebi uma mensagem da esposa, que está muito preocupada no Brasil, a pedir-nos que alonguemos o período de cedência da casa onde vive o Diego. Mas a direção ainda não tomou uma decisão sobre o assunto."

José Nabais também enviou uma 'farpa' a Vítor Oliveira, ex-treinador do Chaves, o qual sugeriu que os salários em atraso que alguns clubes mantêm com os seus profissionais potenciam os casos de aliciamento e viciação de resultados.

"Tenho muito respeito pelo senhor Vítor Oliveira. Se calhar não quis visar particularmente o Oriental, mas quem não se sente não é filho de boa gente. Garanto que no Oriental não há salários em atraso", frisou.

O presidente do Oriental também discordou da posição assumida pelo treinador Jorge Andrade no final do campeonato da II Liga, técnico que considerou existirem fortes motivos para suspeições: "Ele também foi vítima deste processo. Espero que este caso não manche a sua carreira, que ainda está no início.".

José Nabais salientou ainda que o Oriental vai a eleições no próximo mês e que "ainda tudo poderá acontecer".

O advogado do clube, Vítor Parente, disse, por seu lado, que "este processo trouxe muitos inconvenientes ao clube, que vai constituir-se como assistente no processo" e que vai procurar "toda a verdade junto do Ministério Público".

O capitão Daniel Almeida assegurou que o plantel não teve nenhuns indícios de atos ilícitos por parte de jogadores ou dirigentes: "Isto é um assunto muito delicado. Os quatro colegas visados têm a nossa solidariedade. Até ao momento só temos suspeições e alegações. Ninguém foi condenado. Aliás, no futebol há sempre suspeições."

No chamado processo 'Jogo Duplo' foram constituídas arguidas 15 pessoas, entre jogadores, treinadores, dirigentes e empresários. Apenas três ficaram detidos, o avançado brasileiro do Oriental Diego Tavares, Carlos Daniel 'Aranha', elemento ligado à claque do FC Porto SuperDragões e ainda Gustavo Oliveira.

Lusa

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