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Adiado julgamento de homem acusado de matar mulher em Tarouca

O Tribunal de Viseu adiou o início do julgamento de um homem acusado de ter matado uma mulher a tiro no concelho de Tarouca, em 2015, devido a divergências relacionadas com restaurantes que ambos exploravam.

Questionado do porquê de tentar matar as duas filhas, o arguido sublinhou que o objetivo era "acabar com o sofrimento" de ficarem sem mãe, tendo dito às próprias filhas que "não ia ficar ninguém". (Arquivo)

Questionado do porquê de tentar matar as duas filhas, o arguido sublinhou que o objetivo era "acabar com o sofrimento" de ficarem sem mãe, tendo dito às próprias filhas que "não ia ficar ninguém". (Arquivo)

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O julgamento devia começar hoje à tarde, mas foi adiado para data ainda desconhecida na sequência de um pedido de perícias, justificou aos jornalistas um funcionário judicial.

O homem -- taxista de profissão, atualmente com 53 anos - está acusado de dois crimes de homicídio qualificado, um consumado, outro na forma tentada.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público (MP), o arguido e a vítima exploravam, cada um, estabelecimentos de restauração situados lado a lado, na freguesia de São João de Tarouca.

"Cada um destes estabelecimentos tinha uma esplanada própria, havendo divergências antigas entre o arguido e Leonilde Almeida quanto ao espaço exterior e passagem para cada um dos estabelecimentos", refere a acusação.

Na tarde de 6 de outubro de 2015 já tinha havido "troca de palavras" entre a esposa do arguido, a vítima e o ex-companheiro desta.

"Na sequência destas altercações, o arguido mandou instalar um pequeno varandim em madeira com o objetivo de separar o logradouro das esplanadas entre os referidos estabelecimentos de restauração", relata ao MP.

Ao ver o início da construção desta estrutura, a vítima pediu ao ex-companheiro que se deslocasse novamente àquele local, pois entendia que a divisória impedia a passagem das pessoas para o seu estabelecimento.

Chegado ao local, o ex-companheiro da vítima, munido de um objeto em ferro, "começou a desferir pancadas no varandim que se encontrava ainda a ser instalado, a fim de o destruir".

Perante a situação, arguido e esposa "insurgiram-se" e "envolveram-se numa troca de palavras e agressões físicas" com José Delmar.

Ao constatar este cenário, a vítima acorreu ao local e tentou encaminhar o ex-companheiro para o interior do seu restaurante.

"Nessa ocasião, o arguido Benjamim Silva retirou do bolso das calças a arma de fogo, uma semiautomática de calibre de 6.35 milímetros, colocou o carregador carregado com munições e, apontando-a na direção de José Delmar e Leonilde Almeida, que se encontravam a cerca de 3/4 metros de si, disparou por 3/4 vezes, tendo atingido Leonilde com, pelo menos, um disparo", descreve o MP.

Segundo a acusação, o homem detinha licença de uso e porte de arma, emitida pela PSP, acrescentando que o arguido transportava, habitualmente, a pistola no porta-luvas do táxi, e que a levava para casa no final do serviço.

A mulher morreu na sequência das várias lesões provocadas pelo disparo do arguido que a atingiu na zona do peito, e que, segundo o MP, "foram causa direta e necessária" da sua morte.

No momento em que o ex-companheiro imobilizou o arguido contra um muro, este ainda efetuou outros dois disparos na sua direção.


Lusa

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