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Mais de 1/3 dos homens e 1/4 das mulheres trabalham mais de 40 horas/semana

Mais de um terço dos homens e de um quarto das mulheres dedicam mais de 40 horas semanais ao trabalho, revela um inquérito nacional que conclui que "o trabalho pago extravasa com frequência as suas 'fronteiras'".

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(Lusa/ Arquivo)

Realizado pelo Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS), em parceria com a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE), o Inquérito Nacional aos Usos do Tempo de Homens e de Mulheres (INUT) envolveu uma amostra representativa da população residente em Portugal maior de 15 anos, num total de 10.146 pessoas.

Segundo o estudo, os "horários de trabalho longos", acima das 40 horas semanais, abrangem quase uma em cada três pessoas trabalhadoras, principalmente homens (34,4%), face a 25,6% das mulheres.

Em termos médios, os homens afetam, por semana, 42,55 horas à sua atividade profissional principal, mais 2,8 horas do que as mulheres, refere a investigação, que decorreu entre abril e novembro de 2015 e que é divulgada hoje numa conferência em Lisboa.

Já o tempo de trabalho pago (incluindo atividade profissional e deslocações entre casa e local de trabalho) é em média, por dia, de 9,2 horas para os homens e 8,35 horas para as mulheres.

Mais de um terço dos homens (34%) e 28,3% das mulheres disseram ter trabalhado várias vezes por mês, no último ano, durante o seu tempo livre para dar resposta a solicitações profissionais.

O estudo, a que a agência Lusa teve acesso, refere que o horário fixo é a forma predominante de organização dos tempos de trabalho, tanto para os homens (68,2%) como para as mulheres (74,1%), seguido do trabalho por turnos (13,5% mulheres, 16,1% homens).

A jornada contínua ou a flexibilidade de horário têm uma "expressão muito diminuta" para homens e mulheres.

Questionados sobre o número de horas que gostariam de trabalhar semanalmente, tendo em consideração "a necessidade de ganhar a vida", 46,1% dos homens e 43% das mulheres disseram que trabalhariam as mesmas que fazem atualmente.

Para os autores do estudo, coordenado pela investigadora Heloísa Perista, estes resultados evidenciam "uma significativa valorização do trabalho pago".

Contudo, 38,5% das mulheres e 36,9% dos homens consideram que o seu horário de trabalho "não se adapta muito bem ou mesmo nada bem" aos seus compromissos familiares, pessoais ou sociais.

É para as mulheres que o trabalho pago tem maiores implicações em termos familiares e pessoais, com 63,4% (contra a 46,6% dos homens) a confessarem que, nos últimos 12 meses, se sentiram algumas vezes "demasiado cansadas" para realizarem algumas tarefas domésticas após o trabalho.

Para a maioria das mulheres (51,4%, contra 43,8% dos homens) o trabalho representa um impedimento para dedicar à família o tempo que gostariam.

No local de trabalho, são elas que mais pensam nas tarefas domésticas que têm de realizar, por exemplo, o que fazer para o jantar (50,5%, face a apenas 17,1% dos homens).

Quase metade das mulheres (48,9%) e 42% dos homens consideram não ter tempo suficiente para fazer tudo o que queriam nos dias de semana.

No total do país, 45,4% das mulheres e 36,6% dos homens dizem andar apressados.

"Curiosamente, a maior percentagem relativa ao sentimento de pressa verifica-se entre as mulheres que não vivem em contexto metropolitano", afirma o inquérito.

Lusa

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