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Quase 20% dos médicos na região Centro trabalha mais de 60 horas por semana

Um estudo da Secção Regional do Centro Ordem dos Médicos (SRCOM) centrado na problemática do 'burnout' conclui que 18,7% dos médicos trabalha mais de 60 horas por semana.

(Arquivo)

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O estudo, que abrangeu 1.577 médicos (20% do total de médicos inscritos na secção), refere que 15,9% dos inquiridos trabalha 60 a 80 horas por semana, 2,8% mais de 80 horas e 53,2% entre 40 a 60 horas, sendo que mais de metade dos profissionais que participou no estudo faz serviço de urgência.

Os médicos de medicina geral e familiar são os que apresentam mais sinais de 'burnout' nas suas três dimensões (exaustão, despersonalização e não realização profissional), seguindo-se os profissionais de medicina interna, cirurgia geral e neurologia, aponta o estudo a que a agência Lusa teve acesso.

Os médicos mais novos apresentam níveis mais elevados de exaustão emocional, bem como aqueles que trabalham mais de 40 horas e os profissionais que realizam trabalho noturno e serviço de urgência.

Os resultados do estudo sugerem que os profissionais da zona Centro que têm atividade médica hospitalar e que trabalham em instituições públicas apresentam maiores níveis de exaustão.

"Tem havido uma pressão crescente sobre os médicos e profissionais de saúde" em torno de questões "que têm muito pouco a ver com a ideia que os médicos têm da sua profissão", disse à agência Lusa o presidente da secção regional da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

A pressão para uma "produção desenfreada de dados médicos", o "excesso de burocratização do Serviço Nacional de Saúde", a sua desorganização, a falta de "meios complementares de diagnóstico, de meios farmacológicos e de recursos humanos", bem como as "disfuncionalidades dos sistemas informáticos" vêm dificultar o trabalho do médico e potenciar situações de 'burnout', sublinhou.

Segundo Carlos Cortes, a carga horária e de trabalho a que os médicos estão sujeitos têm uma "implicação imediata", considerando que o facto de haver cerca de 20% dos médicos a trabalhar mais de 60 horas é "um dado que tem de obrigar o Ministério da Saúde a refletir".

Para o responsável da SRCOM, o fenómeno do 'burnout' foi amplificado com a crise económica d "a desorganização que reina no Serviço Nacional de Saúde tem um impacto muito negativo sobre os médicos".

O estudo, que alerta para o facto de 40% dos médicos apresentarem sinais de exaustão emocional, vem "mostrar à tutela que tem responsabilidade".

"Isto não é uma gripe que se apanha. A tutela tem a obrigação de saber combater este problema", salientou, alertando que todos os profissionais de saúde estão expostos ao risco de 'burnout'.

O estudo, que decorreu de janeiro a dezembro de 2015, vai agora ser divulgado às entidades.

A secção regional oferece a sua "disponibilidade" para colaborar na criação de mecanismos de prevenção do 'burnout' nos profissionais de saúde, juntamente com a tutela.

De acordo com Carlos Cortes, serão também necessários "mecanismos de maior discrição e de maior proximidade entre o médico e quem o irá tratar", para que este não seja exposto e não tenha de recorrer ao serviço de psiquiatria no local onde trabalha.

"Os médicos estão conscientes deste problema e de que têm de ajudar a resolvê-lo", realçou, considerando que a diminuição de situações de 'burnout' também levará a incrementos da própria eficiência do Serviço Nacional de Saúde.

Lusa