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Cerca de mil polícias vão ter formação para melhor intervir junto dos imigrantes

Cerca de mil agentes da PSP vão receber formação do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) para que a Polícia tenha uma melhor intervenção junto das comunidades imigrantes ou ciganas, segundo o programa hoje criado 'Juntos Por Todos'.

O protocolo entre a PSP e o ACM para a criação do programa 'Juntos Por Todos' foi hoje assinado no Ministério da Administração Interna, numa cerimónia presidida pela ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita.

"Estou certa de que este programa contribuirá para a prevenção da conflitualidade em comunidades multiculturais que possam ser mais vulneráveis e dar apoio a todos cidadãos", disse Constança Urbano de Sousa, na cerimónia de assinatura do protocolo.

Para a ministra, o programa vai "reforçar os conhecimentos e as competências" do ACM e dos elementos da PSP nas temáticas que dizem respeito à diversidade cultural e ao diálogo intercultural.

"O programa também simboliza os valores humanistas próprios de uma polícia moderna que, como a PSP, norteia sempre as suas opções estratégicas pelos princípios do policiamento de proximidade, complementando a sua vertente de combate à criminalidade com uma prioridade muito clara que dá à prevenção, deteção de problemas nas comunidades que serve e à resolução das suas causas", realçou.

Também o ministro-adjunto afirmou que esta sinergia entre a PSP e o ACM vai "resultar certamente num aprofundamento da cidadania e reforço da segurança".

"A polícia, numa posição privilegiada, permitirá garantir que a segurança é um elemento fundamental para prevenir e mediar conflitos", disse Eduardo Cabrita, adiantando que o programa também vai facilitando "o trabalho da própria polícia no terreno".

No final da assinatura do protocolo, o alto-comissário para as migrações, Pedro Calado, disse à agência Lusa que este protocolo "reveste-se da maior importância" na medida em que os funcionários do ACM vão ter formação sobre o funcionamento das forças de segurança e como podem apoiar as comunidades migrantes quando forem vítimas de algum tipo de situação que carece de segurança.

"Mas também é muito importante porque o ACM vai dar formação a 1000 agentes da PSP para melhor intervirem junto das comunidades, sejam elas comunidades imigrantes ou ciganas", acrescentou.

Pedro Caiado referiu que o programa vai também permitir um trabalho de "prevenção primária junto das crianças e jovens dos contextos mais vulneráveis de alguns bairros", nomeadamente junto dos consórcios locais do Programa Escolhas, que trabalha há muitos anos nestas comunidades.

"Este protocolo prevê o alargamento a nível nacional da presença da PSP também nesses consórcios locais, para se poder ter junto das crianças e jovens uma intervenção mais pedagógica e preventiva", sublinhou.

Também o diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, superintendente-chefe Luís Farinha, destacou à Lusa a formação que os elementos da PSP vão receber para adquirirem um melhor conhecimento das características e interações das comunidades

"Este protocolo tem como objetivo estreitar relações de cooperação com o ACM, quer em matéria de formação, quer em matéria daquilo que é o aconselhamento e relacionamento no âmbito das interações que a PSP tem com as multiplicas comunidades que serve", afirmou.

Questionado sobre o relacionamento que existe entre a PSP e habitantes de alguns bairros mais problemáticas, Luís Farinha referiu que, "por vezes, pode ter falhas na comunicação e interação".

No entanto, sustentou que este protocolo se insere "precisamente no reforço das capacidades e da interação dos dois lados para que esse relacionamento corra melhor".

Lusa

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