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CGTP rejeita possíveis sanções e defende que país deve ser ressarcido

A CGTP considerou hoje inaceitável qualquer tipo de sanção da Comissão Europeia a Portugal e defendeu que o país devia ser ressarcido pelos danos causados pela austeridade imposta pela 'troika'.

(Arquivo/Reuters)

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Reuters (Arquivo)

"Para a CGTP-IN é inadmissível qualquer tipo de sanção a Portugal. Aliás, ameaças como as que foram feitas inserem-se numa nova fase do processo de integração capitalista na União Europeia", considerou a central sindical num comunicado aprovado na reunião de hoje da comissão executiva e apresentado aos jornalistas pelo secretário-geral, Arménio Carlos.

No documento, a Intersindical criticou, nomeadamente, o "ultimato da Comissão Europeia", por considerar que "representa a condenação da própria política imposta pela 'troika' [Comissão Europeia, Banco Central Europeu -- BCE e Fundo Monetário Internacional - FMI] ao longo dos últimos quatro anos e uma confissão do fracasso da mesma no que concerne a dotar Portugal de mais e melhores instrumentos para crescer e se desenvolver".

"Portugal deve ser ressarcido, e não sancionado, pelos danos causados pelas medidas draconianas impostas pela Comissão Europeia, BCE e FMI", defendeu a central.

Para a CGTP, a "inaceitável pressão e chantagem fica também patente na existência de dois pesos e duas medidas, com a UE a ser subserviente perante os grandes países e a ser dura com os pequenos países, ameaçando com a suspensão das verbas do Portugal 2020, numa altura em que é fundamental, nomeadamente o investimento público para a concretização do quadro comunitário de apoio".

A Inter considerou ainda que "este processo não pode ser desligado do crescente descrédito da UE e do desaire que recentemente sofreu com o resultado do referendo no Reino Unido".

A central sindical acusou a Comissão Europeia, o FMI e o BCE de não se conformarem com o facto do povo português, nas eleições de outubro passado, "ter rejeitado a austeridade, rechaçado o fim da política de cortes nos salários, pensões e direitos e exigido a mudança de política".

"Neste quadro, é sintomática a estratégia delineada pela 'troika', com o apoio dos seus serviçais em Portugal para, através da ingerência e chantagem, perpetuar a exploração, as desigualdades e o empobrecimento dos trabalhadores, do povo e do país", disse a CGTP.

A central acusou ainda o PSD e o CDS de estarem "comprometidos com os objetivos políticos emanados pela UE" e tudo fazerem "para boicotar a política de reposição de salários, pensões e direitos e assim tentar impossibilitar uma alternativa que demonstre a falácia da inevitabilidade da política de austeridade".

A CGTP-IN "rejeita a política de sanções da Comissão Europeia, das pressões dos "mercados" e dos ditames do Tratado Orçamental, e tudo fará, recorrendo inclusive à luta, para defender e afirmar os direitos dos trabalhadores e do povo e a soberania nacional", lê-se no comunicado.

Lusa

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