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Radares devem estar em "pontos negros" e "não em locais onde sejam caça à multa"

O presidente do Automóvel Club de Portugal considerou hoje "positivo" o novo sistema de radares, mas defendeu que os dispositivos devem ser colocados em locais onde há "pontos negros" e "não em locais onde sejam caça à multa".

(Reuters/Arquivo)

(Reuters/Arquivo)

© Marcelo Del Pozo / Reuters

O Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO) entrou hoje em vigor com a colocação do primeiro dos 30 radares da rede na autoestrada A5, que liga Lisboa a Cascais.

Para o presidente do Automóvel Club de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, "o novo sistema de radares é positivo", mas observou que o "grande ponto de discussão" é a localização dos dispositivos.

"É preciso ver com a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), com a PSP e com a GNR quais são os sítios onde, efetivamente, há os maiores desastres e os maiores excessos de velocidade e colocar nesses locais os radares", disse Carlos Barbosa à agência Lusa.

Para Carlos Barbosa, os radares não devem ser colocados em "autoestradas que não têm ninguém, só porque as pessoas passam depressa", mas sim nas estradas nacionais, onde acontece o maior número de acidentes.

São nestes locais que "devem haver bastantes radares, para que as pessoas tenham consciência de que não podem andar em velocidade excessivas nas estradas nacionais", defendeu.

Sobre as vantagens do novo sistema, Carlos Barbosa apontou que "vai trazer, pelo menos, mais prevenção e mais consciência aos condutores, que efetivamente não podem abusar da velocidade que é permitida por lei".

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), José Miguel Trigoso, também considerou positivo o novo sistema, afirmando que "é um primeiro passo" para controlar a velocidade nas estradas e prevenir acidentes.

"É apenas um primeiro passo, porque os radares, para serem efetivamente eficazes", têm de ser em muito maior número "do que aquilo que vai ser montado", como acontece, por exemplo, em França, Espanha, na Alemanha, na Holanda e no Reino Unido, disse à Lusa o presidente da PRP.

José Miguel Trigoso lembrou a importância dos radares, explicando que o seu objetivo é, através do conhecimento da sua presença, mas não sabendo onde estão, fazer uma pressão no sentido de levar os condutores a manterem a velocidade limitada àquilo que é permitido em qualquer local".

O SINCRO é um sistema para deteção automática da infração de excesso de velocidade, sendo composto por uma rede de locais de controlo de velocidade criteriosamente selecionados, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).

Este sistema, que estará a funcionar em pleno em janeiro de 2017, vai contar com 30 radares móveis instalados em 50 locais considerados "extremamente críticos".

A instalação da rede nacional de radares tem um custo de 3,19 milhões de euros, segundo a verba aprovada em fevereiro em Conselho de Ministros.

Lusa

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