sicnot

Perfil

País

Universidade do Porto estuda reutilização de metais de pacemakers usados

Investigadores da Universidade do Porto estão a estudar formas de valorizar e reutilizar metais nobres como o ouro, a prata e a platina, presentes nos pacemakers e noutros dispositivos implantáveis utilizados no tratamento de complicações cardíacas.

© Fabrizio Bensch / Reuters

António Guerner Dias, coordenador do projeto e docente na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), disse à agência Lusa que a ideia surgiu no âmbito de uma unidade curricular de Gestão de Resíduos Sólidos, que inclui visitas a diferentes entidades que lidam com diversas tipologias de resíduos.

Durante as visitas, verificam-se os diferentes tipos de resíduos produzidos num hospital e foi constatado que dispositivos como os 'pacemakers', entrando em contacto com tecidos biológicos, acabam por ser classificados como resíduos hospitalares do grupo III, devendo ser incinerados ou sujeitos a outro tratamento que lhes permita a classificação de resíduo não perigoso.

Na atual legislação, os resíduos hospitalares dividem-se por quatro grupos, ficando nos dois primeiros os que não representam qualquer tipo de perigo, enquanto nos dois últimos são colocados os que podem ter riscos biológicos associados, como os 'pacemakers' e outros tipos de equipamentos cardíacos implantáveis no organismo humano, explicou o investigador.

Por norma, os equipamentos colocados no grupo III são enviados para incineração ou, "desde que devidamente tratados e desinfetados", podem ser classificados como resíduos hospitalares do grupo I ou II, podendo então ser encaminhados para deposição num aterro sanitário ou para qualquer outro processo de eliminação.

"A questão é que quando um 'pacemaker' passa por esse processo de limpeza" acaba por se tornar num resíduo igual aos encontrados nos equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE)", que "são, muitas vezes, reaproveitados", indicou António Guerner.

Os pacemakers, tal como muitos dos REEE mais comuns (telemóveis ou computadores), são constituídos, entre outros componentes, por uma placa de circuito impresso que contém metais nobres, como é o caso do ouro, da prata ou da platina, em pequenas quantidades, da ordem de alguns miligramas.

Para o reaproveitamento daqueles componentes é necessária uma quantidade elevada de dispositivos, visto que os pacemakers modernos pesam entre 20 a 30 gramas, "o que não é nada", referiu o professor.

Caso se consiga "obter duas ou três centenas de miligramas de ouro a partir de um 'pacemaker' é algo extraordinário", acrescentou António Guerner, sublinhando que para se ter um quilo de ouro seriam necessárias algumas centenas de milhar de dispositivos.

Em Portugal, a média de dispositivos deste género substituídos por ano ronda os oito mil, o que para o investigador "não é um número muito significativo".

Porém, "se aos pacemakers substituídos anualmente em Portugal se juntarem os que são substituídos em toda a Europa, obtém-se uma quantidade que pode justificar a criação de uma unidade de recolha, tratamento e aproveitamento" desse material, acrescentou.

Neste momento, em parceria com alunos do Mestrado em Economia e Gestão do Ambiente, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, está a ser analisada a evolução dos mercados desses metais nobres, em função da evolução da cotação dos metais, de forma a verificar quantos pacemakers seriam necessários para tornar o negócio rentável.

Com Lusa

  • Presidente da Proteção Civil demitiu-se

    País

    O Presidente da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), Joaquim Leitão, pediu esta quarta-feira a demissão com efeitos imediatos. A carta de demissão foi enviada para o Ministério da Administração Interna, no entanto, uma vez que a ministra também se demitiu, o documento seguiu para o gabinete do primeiro-ministro, António Costa.

  • Provavelmente o melhor golo da noite de Liga Europa
    1:24
  • Vitória de Guimarães mais longe dos 16 avos de final
    1:48
  • O perfil dos novos ministros
    3:22

    País

    Pedro Siza Vieira e Eduardo Cabrita são os dois novos ministros que tomam posse no próximo sábado. Ambos têm uma particularidade: são amigos de longa data do primeiro-ministro António Costa.

  • Não me parece o melhor princípio político, mas percebo que António Costa queira ter junto de si, sobretudo em tempos difíceis, os mais próximos. Os homens de confiança pessoal e política. Em plena tempestade, o primeiro-ministro chamou dois amigos de longa data, ex-colegas da Faculdade de Direito, Eduardo Cabrita e Pedro Siza Vieira. E eles não disseram que não.

    Bernardo Ferrão

  • Fogos na Califórnia provocaram 42 mortos e perdas acima de mil milhões de dólares

    Mundo

    O comissário dos seguros da Califórnia afirmou esta quinta-feira que as perdas provocadas pelos incêndios que dizimaram extensas áreas deste Estado norte-americano excedem os mil milhões de dólares (844 milhões de euros). Estes incêndios, que começaram no condado de Sonoma County, já provocaram a morte a 42 pessoas no mês de outubro.

  • Quem está ao lado de Trump? Melania ou uma sósia?

    Mundo

    A especulação surgiu no Twitter: estaria Trump acompanhado de uma sósia de Melania para ocultar a ausência da mulher num evento oficial? A teoria da conspiração ganhou depois força nas redes sociais. Julgue por si mesmo.

    SIC

  • Norte-americano entrega-se após perder aposta com a polícia no Facebook

    Mundo

    Um jovem de 21 anos procurado pela polícia norte-americana entregou-se, esta segunda-feira, depois de perder uma aposta com a polícia, no Facebook. Michael Zaydel prometeu entregar-se se uma publicação sobre o seu desaparecimento chegasse às mil partilhas, na rede social. O jovem norte-americano prometeu ainda levar uma dúzia de donuts, caso os agentes da cidade de Redford conseguissem ganhar a aposta.

    SIC