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Cientistas portugueses contribuem para telescópio que terá 2500 antenas

Cientistas de sete instituições portuguesas contribuem para a construção de um telescópio, que terá 2.500 antenas e poderá rastrear mil milhões de galáxias, e lideram a inserção de tecnologias da informação e do conceito de sustentabilidade energética.

O coordenador nacional do 'Engage SKA' (roteiro nacional de infraestruturas de relevância estratégica), Domingos Barbosa, disse hoje à agência Lusa que Fernando Camilo é o líder científico do projeto SKA, na África do Sul, e os restantes portugueses participam nos consórcios de trabalho da iniciativa internacional que "tem de ter a capacidade de observar, pelo menos, 40% do céu todas as noites e isto é fantástico porque permite ter um volume de dados muito grande".

Com projetos piloto definidos para África do Sul e Austrália, o SKA "vai ser a máquina que mais dados irá produzir nos próximos 20 anos" ou seja, "cerca de 10 vezes mais dados do que o tráfego de internet mundial hoje", exemplificou Domingos Barbosa.

Especialistas do Instituto de Telecomunicações, das universidade do Porto, Aveiro, Coimbra, Évora e Lisboa, e do Politécnico de Beja estão no projeto que envolve, no total das duas fases, um investimento de cerca de dois mil milhões de euros, e no qual Portugal ainda não decidiu se participa.

Os portugueses estão em grupos de trabalho científicos e a sua participação relaciona-se com a definição de requisitos de desempenho exigidos ao aparelho.

"Os portugueses lideram dois aspetos que vão ser fundamentais para a construção e vivência do SKA durante várias décadas" - a inserção de tecnologias da informação, como a 'cloud', e a sustentabilidade energética, a partir da experiência em energias renováveis, disse Domingos Barbosa.

"O conceito de computação em nuvem, está a ser liderado por Portugal", visando melhorar a gestão operacional do SKA, explicou Domingos Barbosa, apontando como exemplo, a necessidade de "virar as antenas todas ao mesmo tempo, orientar as antenas para determinada estrela ou galáxia e [definir] para onde irão os dados [recebidos] enquanto esperam ser processados".

Realçou que este projeto "vai colocar enormes desafios à ciência e tecnologia e os grupos científicos têm de encontrar formas de extrair informação da quantidade de dados que vai chegar".

Por outro lado, "foi graças a Portugal que o conceito de sustentabilidade energética fez o seu caminho no SKA que está a incorporar conceitos das energias renováveis desenvolvidos" no país, acrescentou.

Na área científica, é necessário definir as características do aparelho para poder detetar planetas que tenham magnetosferas, como a terra, com condições propícias à vida, assim como as primeiras estrelas que se formaram no universo ou colisões de buracos negros.

A fase de pré-construção e design, desenvolvida por equipas cerca de 20 países, com centenas de engenheiros e cientistas, entre os quais os portugueses, consiste em desenhar "a máquina da melhor forma possível, com um custo o mais realista possível", incorporando a tecnologia dos sensores da informação, como antenas e sensores.

Trata-se "construir uma ciberestrutura para recolher todos os dados dos sensores, injetá-los num supercomputador e depois distribui-los por centros de dados espalhados pelo mundo", resumiu.

A primeira fase da SKA, com a instalação do equipamento, custa 650 milhões de euros e começa a partir de 2018 ou 2019, mas já foi instalado um projeto piloto (o MeerKAT), na África do Sul, que corresponde a 1% ou 2% do projeto, com 64 antenas.

Na segunda fase, será expandido para mais países, como Moçambique, e no final o projeto terá 2.500 antenas, espalhadas por centenas de quilómetros, disse Domingos Barbosa.

Lusa

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