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Parque Ecológico e fronteira com Santa Cruz são focos de preocupação no Funchal

O presidente da Câmara Municipal do Funchal afirmou hoje à tarde que persistem dois cenários complicados de incêndios no concelho nas zonas das Carreiras e do Parque Ecológico, estando no terreno 170 efetivos de diversas corporações.

"Uma [zona] que nos preocupa com maior gravidade é a Estrada das Carreiras", disse Paulo Cafôfo, ao final da tarde, num balanço à situação dos incêndios que deflagraram na segunda-feira nas zonas altas do concelho.

Neste novo foco das Carreiras, o dispositivo de combate está a ser apoiado pela corporação do concelho vizinho a este, Santa Cruz, para tentar estancar o fogo e evitar que se propague para aquele município. Porém, as chamas não estão a ameaçar residências, adiantou o autarca.

Contactado pela Lusa, o presidente do município de Santa Cruz, Filipe Sousa, assegurou que, no território que gere, o fogo está controlado e não ameaça residências.

Outro foco que está a exigir mais esforço no Funchal é a área do Parque Ecológico da cidade, "um fogo que não foi extinto e teve uma progressão lenta".

Estão envolvidos no ataque diversas equipas de bombeiros, elementos daquele espaço e guardas florestais.

Paulo Cafôfo salientou que o parque tem sido "massacrado" pelos incêndios no decorrer dos anos, o que vem afetar o "investimento muito grande" e o trabalho de plantação de árvores, "quase um tricotar da montanha", feito por muitos colaboradores e voluntários.

"Portanto, é algo que estamos a tentar controlar. Temos lá maquinaria para tentar cortar uma zona do fogo, que é uma área que nos preocupa, não tanto por residências, mas pelo valor que tem o parque ecológico e o investimento que tem sido feito na reflorestação e eliminação das plantas infestantes, o que tem sido uma boa política", considerou.

Este, acrescentou, tem sido um trabalho "benéfico no combate ao fogo".

Questionado sobre se o pedido de ajuda ao Governo da República -- concretizado na terça-feira ao início da noite - foi tardio, o autarca respondeu ser um assunto da responsabilidade do comando regional, do Serviço Regional da Proteção Civil.

"Neste momento, o mais importante é que estão cá, estão a dar o seu contributo para ajudar as corporações da região a combater as chamas, nas áreas urbanas e florestal", afirmou.

O responsável do principal município da região mencionou que está a ser feito um levantamento das habitações afetadas pelo fogo, "uma contabilidade e estatística realizadas com o contributo dos presidentes das juntas de freguesia.

"São umas largas dezenas, muito mais do que os números que têm sido avançados", admitiu.

Paulo Cafôfo assegurou haver "articulação" com o Governo Regional no combate a esta situação, opinando que não pode haver nesta matéria "guerras de capelas e em que cada um procura olhar para o seu umbigo".

O objetivo principal, sublinhou, "é a salvaguarda da população e fazer com que o Funchal não continue a arder".

Sobre o número de vítimas mortas, o autarca declarou só poder "confirmar as três na freguesia de Santa Luzia".

Os incêndios no Funchal provocaram também cerca de mil desalojados provisórios, muitas dezenas de habitações danificadas e elevados prejuízos materiais.

Lusa

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