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BE quer solidariedade nacional e compromisso político para recuperar Madeira

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A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu esta sexta-feira a ativação da solidariedade nacional e o compromisso político para que haja "mais do que palavras" na recuperação da Madeira depois dos incêndios, apelando a que os erros sejam corrigidos.

"Está a haver um esforço imenso solidário da população, mas é preciso outros meios e portanto é preciso ativar rapidamente a solidariedade nacional e certamente que há uma responsabilidade do Governo também nesta ativação para acudir já a quem está desalojado e termos já os meios para começarmos a pensar no dia seguinte e na recuperação das zonas que arderam", disse Catarina Martins.

A coordenadora bloquista falava aos jornalistas durante uma visita que está a realizar hoje ao Funchal, Madeira, depois dos incêndios dos últimos dias.

Na opinião da coordenadora do BE, este é "o momento do compromisso político para corrigir os erros sucessivamente cometidos", considerando que é "importante que houvesse mais do que palavras" em temas como o ordenamento do território e a gestão da floresta porque "o combate aos incêndios não pode ser um negócio".

"Não se fez prevenção para não haver incêndios. Se não se trata agora da recuperação depois vamos queixar-nos das cheias no inverno", avisou.

Questionada pelos jornalistas sobre aquilo que o BE pode fazer tendo em conta as novas responsabilidades como partido que suporta parlamentarmente o Governo, Catarina Martins considera que seria "bom que avançassem respostas políticas concretas e que não se ficasse à espera do próximo ano para dizer que as coisas correram mal".

"O Bloco tem várias propostas já há algum tempo. Não tem existido consenso na Assembleia da República para avançar com muitas delas, eu espero que este seja o momento. Não foi muito prudente acabar com serviços florestais, como não foi prudente as leis que permitiram os eucaliptos generalizados no território, como não é prudente que os meios aéreos sejam um negócio privado no combate aos fogos em vez de serem uma responsabilidade pública", elencou.

Para a coordenadora, é preciso antes de tudo "garantir que todos os meios são mobilizados para onde é necessário", havendo depois o segundo passo, o "da recuperação e de responder já a quem está desalojado e para isso é preciso meios", o que vai "custar dinheiro".

Interrogada sobre o facto de o primeiro-ministro, António Costa, não ter ainda avançado com o envelope financeiro que o Governo da República irá disponibilizar de apoio à Madeira, Catarina Martins recordou que neste momento "estão a trabalhar nos valores e esse levantamento tem que ser feito pelas autoridades locais".

"Temos que ser mais exigentes do que temos sido. É muito importante ouvir a autarquia na recuperação porque já tivemos momentos em que demorou demais a responder às pessoas", lamentou.

A líder bloquista aproveitou ainda para falar da situação dramática que se vive também no continente por causa dos fogos, alertando que neste momento há "um país inteiro a arder" e por isso é necessária uma "grande atenção a este fim de semana, com temperaturas altas", apelando a um comportamento cívico de todas as pessoas.

Os jornalistas quiseram ainda saber a posição de Catarina Martins sobre os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, que deu conta que a economia portuguesa cresceu 0,2% entre abril e junho face ao primeiro trimestre deste ano, taxa idêntica à dos dois trimestres anteriores.

"Está-me a falar de números provisórios e este não é nem o sítio nem o tempo para os comentar como hão de compreender", respondeu.

Lusa

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