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Madeira sofreu três grandes fogos nos últimos seis anos

O fogo faz parte da história do povoamento da Madeira e esta semana, pela terceira vez nos últimos seis anos, um grande incêndio deixa um rasto de destruição na ilha.

O anterior presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, chegou a classificar 2010 de "annus horribilis" (ano horrível, em latim), já que a ilha teve de enfrentar incêndios de grandes proporções em agosto, quando ainda estava a recompor-se da aluvião de 20 de fevereiro, que provocou 43 mortos, seis desaparecidos e 600 desalojados e prejuízos avaliados em 1.080 milhões de euros.

Com as horas de grande aflição e a tristeza pelo 20 de fevereiro ainda na memória, sobretudo para as pessoas que perderam familiares e habitações, em agosto a população da Madeira viu-se confrontada com um incêndio de grandes proporções que deflagrou nas serras do Funchal e se propagou para várias localidades da ilha.

No fim de semana de 13 de agosto de 2010, as chamas já haviam consumido cerca de 6.000 hectares de mato e floresta, dos quais, 950 eram do Parque Ecológico do Funchal (95% da sua área), segundo informações da Polícia Judiciária (PJ).

Em setembro de 2010, o Governo da Madeira anunciou um investimento de 1,6 milhões de euros na recuperação de 14 levadas e veredas (trilhos) e a Câmara Municipal do Funchal aprovou uma retificação orçamental no valor dos seis milhões de euros devido aos prejuízos causados pelo temporal de fevereiro e aos incêndios em agosto.

Dois anos depois, no verão de 2012, quando ainda decorriam as intervenções da reconstrução dessas tragédias, ocorreram novos incêndios que atingiram grandes dimensões, tendo sido contabilizados 400 focos nos concelhos do Funchal, Santa Cruz, Calheta e Porto Moniz, que destruíram 5.643 hectares da região, dos quais 58,3% em áreas agrícolas e urbanas.

Nessa altura, 114 pessoas foram acolhidas no Regimento de Guarnição n.º 3 (RG3), no Funchal, na sequência dos fogos.

O município de Santa Cruz foi o mais afetado, tendo 139 habitações sofrido danos, das quais 21 com perda total. Apenas 97 reuniam as condições mínimas de habitabilidade.

A autarquia informou serem necessários quatro milhões de euros para recuperar estas moradias, avaliando em 600 mil euros os prejuízos em outros equipamentos do município.

De seguida, o Governo madeirense providenciou 14,5 milhões para o investimento na área da habitação social e realojamento, tendo assegurado que iria "dar continuação ao plano de reposição do parque habitacional assolado pelo temporal de 20 de fevereiro de 2010 e pelos incêndios e temporais de 2012".

Passaram-se três anos e, na segunda-feira, o fogo voltou a 'atacar' a Madeira, desta vez com o incêndio a deflagrar na freguesia de São Roque, no Funchal, e a alastrar-se a outras zonas do concelho, surgindo também noutros pontos da ilha (Calheta e Ponta do Sol).

Foi necessário evacuar, por precaução, dois hospitais, dois lares de idosos, duas clínicas e dois hotéis, tendo uma das unidades hoteleiras ficado parcialmente destruída, além de muitas moradias.

O balanço provisório destes incêndios é de três vítimas mortais, cerca de mil desalojados temporários e mais de 200 casas danificadas, das quais 150 são residências que deixaram de ter condições de habitabilidade, além de avultados prejuízos materiais ainda não apurados.

Na terça-feira, e numa primeira avaliação, o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo, estimou os prejuízos materiais, nos bens privados e públicos no concelho, em cerca de 55 milhões de euros, referindo que foram danificados 208 imóveis.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa, já se deslocaram à Madeira, prometendo apoio para a recuperação da ilha, que vai mais uma vez lutar para voltar à normalidade.

Lusa

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