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Cabeleireiro do Funchal angaria donativos com cortes "sem preço"

Um cabeleireiro do Funchal decidiu "perder um dia de trabalho por uma boa causa", oferecendo, na passada quarta-feira, cortes de cabelo "sem preço", para recolher donativos destinados a ajudar afetados pelos incêndios que assolaram a Madeira.

"Começamos a imaginar a dor das pessoas que tiveram que fugir, de algumas delas que ficaram para proteger as suas casas e que acabaram por perder tudo, e achamos que não são só as grandes empresas que deveriam ajudar, mas também as pequenas, porque se todas fizerem um pequeno donativo ou (derem) uma pequena ajuda é muito importante para quem não tem nada", explicou Roberto Rodrigues, um dos proprietários do cabeleireiro HEY (Hair Express Yourself).

O salão vai estar aberto o dia inteiro unicamente para disponibilizar cortes de cabelo "sem preço", em que os clientes decidem quanto pagam, dado que a verba vai reverter para pessoas afetadas pelos incêndios.

"Temos inclusive clientes que perderam a casa e, quando recebemos a notícia, a primeira coisa que dissemos foi: 'Vamos fazer qualquer coisa'. Surgiu então a ideia de fazer algo com o cabeleireiro. Achamos que seria uma coisa diferente", contou Roberto Rodrigues à agência Lusa.

O coproprietário do salão, que existe há dois anos, indicou que têm já recebido donativos por parte de clientes que passaram pelo espaço.

Para o evento 'oficial' de quarta-feira, Roberto Rodrigues espera entre 100 e 150 pessoas, as quais vão ser atendidas por três cabeleireiros, incluindo um suíço, que foi dos primeiros a disponibilizar-se para ajudar, segundo Roberto Rodrigues.

Isto pese embora um apelo nomeadamente no Facebook para que outros profissionais se juntassem à iniciativa.

"Pedimos a colaboração de outros cabeleireiros, mas não foi possível. (...) Gostávamos muito de trabalhar com outros, disponibilizamos o nosso salão para virem trabalhar, mas não recebemos contactos. Infelizmente é a realidade que temos, mas vamos para a frente na mesma", disse.

Em contrapartida, chegaram "imensas ajudas" de fornecedores, que disponibilizaram material, e de pessoas que já ofereceram refeições para o dia de quarta-feira.

Nenhum cliente será atendido por marcação prévia.

As pessoas vão receber um número à chegada. Caso não sejam atendidas nesse dia, ser-lhes-á dada a oportunidade, se guardarem o número, de irem ao salão até à próxima semana, inclusive.

Os donativos que vão ser colocados numa caixa ainda não têm destino definido, mas provavelmente serão entregues a uma pessoa que ficou desalojada devido aos incêndios.

"É perder o dia de trabalho para uma boa causa", concluiu Roberto Rodrigues.

Lusa

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