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Secretário de Estado diz que não houve falha no dispositivo de combate aos fogos

Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna.

LUSA

O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, disse esta terça-feira que não houve qualquer falha no dispositivo de combate aos incêndios que atingiram o país nas últimas semanas, escasseando sim os meios necessários.

Em declarações aos jornalistas no final de uma reunião na Câmara de Baião, no distrito do Porto, com autoridades locais, Jorge Gomes declarou não ter havido "falhanço de forma nenhuma no dispositivo em tudo o que aconteceu" e, questionado sobre o caso de São Pedro do Sul, disse que o que "havia era inexistência de recursos e de meios suficientes para as necessidades que apareceram".

"Não podemos dizer que há uma falha porque todos queremos um avião em cima de nossa casa. Nós não temos aviões para ter em cima de casa de toda a gente. O dispositivo respondeu bem e tão bem respondeu que é aquele exemplo que lhe dei: se num dia temos 455 incêndios e conseguimos chegar à meia-noite com 10 isto é algo de excecional", afirmou Jorge Gomes.

O secretário de Estado acrescentou que "o que pode ter acontecido em São Pedro do Sul é uma questão que vai ser avaliada" e não se quis "dissipar em declarações ao inquérito que está a ser feito" e que vai analisar se "o senhor presidente da Câmara tem alguma razão para justificar as suas palavras ou se, eventualmente, não existe razão nenhuma".

Frisando que não houve nenhuma falha e que o Governo mantém a "máxima confiança no dispositivo", Jorge Gomes sublinhou que "há respostas que são impossíveis de dar": "Ninguém pode pensar que, num dia em que há 455 incêndios, há capacidade de resposta. Ninguém no mundo tem capacidade de resposta".

No sábado, Vítor Figueiredo, o presidente da Câmara de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu, lamentou a falta de meios para combater as chamas, sublinhando que quando o incêndio deflagrou apenas puderam contar com "a prata da casa".

"O fogo já aqui anda desde segunda-feira (dia 8). Tínhamos uma frente quase com 16 quilómetros e apenas cerca de 30 ou 40 voluntários para combater todo este fogo. Nunca tivemos apoio das entidades oficiais. O fogo foi progredindo e atingimos um ponto em que a situação foi catastrófica", disse, na altura, o autarca.

Na sequência destas declarações, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou a abertura de um inquérito para apurar o que correu mal com o início do combate ao incêndio em São Pedro do Sul.

Lusa

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