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CGTP exige aumentos de salários e pensões e combate à despesa com "lobbies"

O secretário-geral da CGTP-IN defendeu esta quinta-feira que o Orçamento para 2017 "é o momento certo" para se aumentarem os salários e as pensões, e defendeu como alternativa o corte em despesas "supérfluas" que beneficiam "lobbies instalados".

Arménio Carlos falava à agência Lusa após ter estado reunido com o primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, encontro que durou mais de uma hora e em que também esteve presente o líder da CGT (Confederação Geral do Trabalho) de França, Philippe Martinez.

O secretário-geral da CGTP-IN defendeu que em Portugal, na França ou na Europa em geral "é preciso apostar em novas políticas para responder ao conjunto de problemas que se colocam aos trabalhadores e populações".

"Ao nível da reposição de salários e de direitos, chegou agora o momento de demonstrar à União Europeia que as políticas de empobrecimento não são uma inevitabilidade e, simultaneamente, mostrar que temos de passar à segunda fase. A segunda fase é a melhoria dos salários e dos direitos, já que não podemos aceitar que Portugal tenha em 2015 cerca de 42 por cento dos trabalhadores no ativo com salários base inferiores a 600 euros", declarou o secretário-geral da CGTP-IN.

Arménio Carlos criticou depois os elevados níveis de precariedade laboral registados pelo país, assim como a existência de "cerca de 11 por cento de trabalhadores dentro do nível de pobreza".

"Quase 41 por cento dos desempregados já não conseguem sair do limbo da pobreza. São estas questões de fundo objetivas e concretas que nos levam a defender que este é o momento certo para se tomarem medidas do ponto de vista orçamental em matéria de pensões e de salários, mas também ao nível do reforço da intervenção das políticas públicas em áreas como o Serviço Nacional de Saúde, na Segurança Social e na educação", sustentou.

Questionado sobre a oposição de Bruxelas a políticas de aumento da despesa pública, o secretário-geral da CGTP-IN disse que a sua organização está de acordo com a racionalização e corte de alguma despesa pública.

"A despesa pública não pode ser vista por via do aumento dos salários. No dia que aceitarmos que os salários não podem subir porque as entidades patronais não querem, então, voltamos à conceção anterior. Qualquer dia até temos de pagar para trabalhar", comentou.

Arménio Carlos defendeu a melhoria salarial como "um instrumento de motivação" e, no âmbito do processo de preparação do Orçamento para o próximo ano, disse identificar "despesa supérflua que tem de ser cortada, a começar pelas PPP (Parcerias Público Privadas".

"O rendimento médio das PPP para os acionistas privados ronda os 8,3 por cento ao ano. Ninguém paga juros desta natureza a não ser em Portugal", referiu.

O secretário-geral da GCTP-IN apontou ainda gastos resultantes da entrega de serviços públicos a empresas privadas, "com despesa para o Estado na ordem dos milhares de milhões de euros e em relação a atividades que podiam ser exercidas por trabalhadores da administração pública".

"Podia estar aqui mais cinco minutos a dar outros exemplos de cortes. Se for cortada a despesa supérflua, há condições para se melhorarem os serviços públicos e para se melhorarem as carreiras e os salários. Esta é a saída mais difícil, mas é preciso confrontar os 'lobbies' instalados", acrescentou.

Lusa