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PS e Bloco elogiam forma como abriu o novo ano escolar

O PS e Bloco de Esquerda usaram esta quinta-feira o período de declarações políticas do plenário parlamentar para elogiar a forma como abriu o ano escolar, sobretudo em relação aos processos de colocação de professores e de alunos.

Rompendo o ambiente de crispação política que caraterizara os anteriores debates neste primeiro dia de sessão legislativa na Assembleia da República, o deputado socialista Alexandre Quintanilha, também presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência, deixou a todas as forças políticas um apelo "à convergência" em torno das políticas de educação e de ciência.

"O que será possível concretizar vai depender de muitos fatores: Confiança, financiamento, muito trabalho e convergências - e sei que não sou o único a desejar que, conjuntamente, consigamos construir convergências. Nesta nova sessão legislativa, espero que possamos passar muito menos tempo a revisitar o passado e muito mais tempo a imaginar as escolas do futuro", disse, recebendo então palmas, algumas delas de deputados sentados nas bancadas do PSD e do CDS-PP.

Na sua intervenção, Alexandre Quintanilha referiu-se "à forma calma como decorreu o arranque do presente ano letivo nas escolas públicas", destacando que a 01 de setembro passado já 7300 docentes (mais 500 do que no ano passado) sabiam em que escola seriam colocados.

No que respeita ao Ensino Superior, o presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência defendeu que se verificou um crescimento na ordem de seis por cento em relação ao total de estudantes admitidos no ensino público.

Já o discurso da dirigente do Bloco de Esquerda Joana Mortágua procurou traçar um contraste entre as políticas do presente e as que foram seguidas pelo anterior executivo PSD/CDS.

"A realidade é tão clara que até a presidente do CDS [Assunção Cristas] reconhece: O início do ano escolar deixou de ser um drama. Depois, podemos discutir se o mérito é dos sindicatos, como disse Assunção Cristas, do Governo ou mesmo do Bloco de Esquerda. Uma coisa é certa, do CDS e do PSD é que não é", afirmou.

Além do fator tranquilidade na abertura do ano escolar, Joana Mortágua deixou também uma mensagem ao Governo no sentido de que "é preciso exigir mais".

"Há carências que diariamente prejudicam a capacidade de resposta da escola pública. A mais notada neste início do ano letivo é a falta de auxiliares e assistentes operacionais, que tem de ser resolvida sem recurso a contratações temporárias e baratas", advertiu a dirigente do Bloco de Esquerda.

Também a deputada do PCP Paula Santos deixou recados ao Governo, considerando que é preciso fazer mais pela educação, apesar de passos positivos dados nos últimos meses, casos da gratuitidade dos manuais escolares dos alunos do primeiro ano do primeiro ciclo do Básico, ou do fim dos exames nos quarto e sexto anos.

Pela parte do PSD, pelo contrário, o deputado Amadeu Albergaria afirmou que a esquerda parlamentar não contará com os sociais-democratas para "esconder as dificuldades registadas na abertura deste ano escolar".

"Temos ainda professores por colocar, alunos com aulas em contentores, não temos mais funcionários nem psicólogos, temos ainda professores em horário zero, e temos ideologia a mais e preocupação com os alunos a menos", sustentou.

Ana Rita Bessa, deputada do CDS-PP, também criticou o fator ideologia na política de educação seguida pelo atual Governo e, num diagnóstico contrário ao da esquerda parlamentar, frisou que "no presente as filas do desemprego foram engrossadas por docentes e não docentes provenientes de escolas que antes tinham contratos de associação com o Estado".

A deputada do CDS-PP criticou ainda o atual Governo por apenas ter vinculado ao quadro cerca de cem docentes, quando esse número atingiu os quatro mil na anterior legislatura.

Lusa

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