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Arquiteto Souto de Moura diz que habitação social barata é uma mentira

O problema dos bairros informais e pobres será resolvido com a cooperação entre o Estado e as famílias carenciadas e não com a mentira das habitações sociais baratas, defendeu esta sexta-feira em Maputo o arquiteto português Eduardo Souto de Moura.

"A minha opinião é que a implantação da habitação social deve resultar de uma intervenção estatal associada ao envolvimento das famílias (...). Não acredito na mentira de construir um bairro social e depois apregoar que a mesma é barata, porque, o que acontece é que a viúva pobre não terá dinheiro para a pagar", declarou Eduardo Souto Moura, durante uma palestra na Faculdade de Arquitetura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), a maior instituição de ensino superior em Moçambique.

Para o arquiteto português, vencedor do Prémio Pritzker (considerado o "nobel" da arquitetura) em 2011, a melhoria das condições de habitação das famílias pobres deve assentar no equilíbrio entre a escassez de recursos económicos e a salvaguarda da dignidade dos beneficiários.

O poder público, prosseguiu Souto de Moura, pode assumir o papel da infraestruturação dos espaços identificados para a implantação das habitações sociais e se possível construir as divisões das habitações, deixando depois ao critério das famílias a conclusão das casas, em função do seu poder económico.

Questionado pelo também arquiteto português Jorge Figueira, sobre a agilidade com que consegue projetar uma obra numa zona rural em Portugal e uma torre em Nova Iorque, Eduardo Souto de Moura defendeu a ideia de que não há obras simples e todos os trabalhos merecem o mesmo cuidado.

"As coisas simples são falsas, porque escondem a sua complexidade, ao longo do tempo fui percebendo que as coisas não são tão simples como parecem", sublinhou Souto de Moura.

A obra para uma cozinheira em Braga, prosseguiu o arquiteto, merece o mesmo zelo de uma torre em Nova Iorque.

"No fundo, sou um oportunista, tento apanhar as situações e tirar proveito delas", acrescentou.

Eduardo Souto de Moura demarcou-se do que considerou a hierarquização de património, uma referência a obras com valor arquitetónico, considerando que o interesse tem de ser dado ao património com utilidade pública.

Na opinião de Souto de Moura, a arquitetura é universal, apesar de estar a mudar com o tempo, e tem de estar associada às pessoas e aos afetos.

Lusa

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