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Carros elétricos contribuem para metas climáticas e flexibilidade do sistema

A Agência Europeia do Ambiente salienta que o elevado peso dos veículos elétricos no futuro em Portugal contribui para o cumprimento das metas climáticas, mas alerta que pode levar ao consumo de grande parte da energia solar.

Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (EEA na sigla em inglês), hoje divulgado, analisa o papel dos veículos elétricos na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na qualidade do ar nos próximos anos e refere Portugal como exemplo de potencial de desenvolvimento desta opção.

"Para atingir as metas de proteção do clima, uma quota de mercado de veículos elétricos significante pode consumir grande parte da produção de energia solar durante o dia. Ligar a carga de veículos elétricos à produção eólica é mais complexo devido à maior imprevisibilidade" do vento, refere a EEA.

Os especialistas da agência Europeia destacam que, para 2050, "Portugal atinge taxas de descarbonização muito altas ao conseguir uma quase completa eliminação da produção não renovável" e é apontado como "um exemplo interessante de um país com elevada procura de carros elétricos combinada com energias renováveis flutuantes".

Segundo o documento, a procura de veículos elétricos vai representar uma quota de 12% em 2050, enquanto as energias renováveis vão ser responsáveis por mais de 60% do fornecimento de eletricidade.

"Equilibrar a procura de energia e uma produção flutuante vai tornar-se cada vez mais desafiante e a procura de carros elétricos vai ter um papel importante na obtenção da necessária flexibilidade", acrescenta.

A EEA refere que será indispensável encontrar oportunidades para os carregamentos durante o dia, por exemplo nos locais de trabalho, e encontrar formas de fornecimento inteligentes.

A Associação Sistema Terrestre Sustentável - Zero comentou as conclusões do estudo da agência europeia pedindo um investimento forte e incentivos à mobilidade elétrica, como na compra de veículos, e energias renováveis, "devendo grande parte da prioridade ser canalizada para a energia solar".

"A mobilidade elétrica é o caminho a investir em Portugal para reduzir as emissões de carbono e de outros poluentes, em linha com os investimentos em energias renováveis, particularmente o aproveitamento da energia solar para a produção de energia elétrica", salienta um comunicado da associação liderada por Francisco Ferreira.

Também realça a referência que, no total da Europa, Portugal é aquele que em 2030 e 2050, menos necessita de emissões extra de dióxido de carbono pela produção através de centrais térmicas e que conseguirá tornar-se o país onde os veículos elétricos vão significar a solução mais amiga do ambiente, no âmbito de uma mobilidade mais sustentável.

A EEA salienta que os veículos elétricos podem contribuir para a redução das emissões e para a qualidade do ar, se forem usadas energias renováveis, mas os países devem estar preparados para o aumento do consumo de eletricidade relacionado com esta alternativa.

O total do consumo de eletricidade pelos automóveis vai aumentar de cerca de 0,03% em 2014 para 9,5% em 2050.

Lusa

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