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Jerónimo antecipa potencial conflito interno no PS

CARLOS SANTOS/LUSA

O secretário-geral do PCP rejeita um adjunto após o XX Congresso do partido, em dezembro, e prevê "contradições no seio do próprio PS, com um desfecho imprevisível", em entrevista ao órgão oficial comunista, o jornal "Avante!".

Jerónimo de Sousa, tal como em entrevista à Lusa, em maio, onde se mostrou com "força física e anímica" para continuar no cargo sem necessidade de um "n.º2", como sucedeu com Cunhal e Carvalhas entre 1990 e 1992, reafirmou que "nunca tal esteve em cima da mesa".

"Eu ainda tenho a capacidade de me surpreender com a imaginação fértil da comunicação social. Um jornal dito de referência 'manda o barro à parede', um segundo jornal pega, um terceiro vai mais longe e um quarto dá por adquirida essa ideia... O que tenho a dizer ao 'Avante!' é que tal 'notícia' não tem nenhum fundamento", garantiu.

O líder comunista reconheceu que "o Governo do PS, embora de forma limitada e insuficiente, tem assumido o compromisso de repor direitos e rendimentos, o que não deve ser desvalorizado".

"Estamos a falar de questões como a recuperação de salários, a reposição de feriados, as 35 horas na administração pública, a reversão de privatizações que estavam em curso e políticas educativas, onde se releva a garantia da gratuitidade dos manuais escolares no primeiro ano do primeiro ciclo, resultante de uma proposta do nosso partido", salientou.

Para Jerónimo de Sousa, "mesmo com hesitações e contradições, o PS acabou por contribuir para se abrir uma nova fase da vida política nacional, mas não alterou a natureza da sua política e das suas opções programáticas características da política de direita, expressas nas conhecidas orientações estratégicas de subordinação ao processo de integração capitalista da União Europeia (UE) e aos interesses do capital monopolista".

O secretário-geral do PCP alertou para a "evidência de que os círculos de decisão da UE e do capital" discordam da "solução política atual e, por isso, vão "continuar a pressionar e a chantagear, com a conivência do PSD e do CDS", algo que, considerou, ir provocar, "inevitavelmente", o acentuar das "contradições no seio do próprio PS, com um desfecho imprevisível".

"Não há um Governo de esquerda nem das esquerdas e não há nenhum acordo de incidência parlamentar", frisou o líder comunista, que prefere destacar a "posição conjunta PS/PCP", similar às dos socialistas com BE e "Os Verdes".

Jerónimo de Sousa reiterou a importância do PCP perante "a possibilidade de afastar o PSD e o CDS do Governo, após as legislativas de há um ano, e a "oportunidade de repor direitos e rendimentos usurpados" por aqueles partidos.

Apesar do acordo com os socialistas, "o PCP não abdicou da sua proposta de uma política alternativa patriótica e de esquerda nem do seu compromisso primeiro e principal, que é com os trabalhadores e com o povo", vincou, repetindo a necessidade de romper com os constrangimentos do "Tratado Orçamental e a política do euro", além de renegociar a dívida, embora respeitando o "compromisso de examinar a proposta de Orçamento do Estado" para 2017, "sem, é evidente, decidir do sentido de voto sem conhecer os conteúdos".

"Estamos a viver um tempo em que se agudiza a luta de classes, em que se intensifica a ofensiva ideológica em vários domínios, tentando ocultar a natureza do capitalismo e a alternativa de emancipação social do ideal comunista. É neste quadro que se fomenta o obscurantismo, valores antidemocráticos e reacionários, em particular na Europa", declarou ainda o líder do PCP, destacando a vertente internacionalista do seu partido.

Para Jerónimo de Sousa, o PCP é "um partido marxista-leninista cuja organização está fundamentalmente direcionada para os principais destinatários" da "ação" e da "luta".

"Nós precisamos de mais quadros intermédios, de quadros que agarrem tarefas, que assumam responsabilidades para dinamizar o trabalho de organização. Outra ideia que importa ter presente: o reforço do partido faz-se lá onde se dá o conflito de classes, onde se trava a luta e se destacam os lutadores, se libertam energias e evolui a própria consciência de classe", disse.

O secretário-geral comunista optou ainda por destacar que nos últimos quatro anos, o PCP registou "mais de cinco mil novos militantes, com a particularidade de cerca de 70% terem menos de 50 anos", "um resultado" que "dá confiança, mostrando a real possibilidade que existe de o partido conseguir novos membros e de os integrar no trabalho partidário".

Lusa

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