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"O que estão a fazer comigo é o ato mais repugnante que uma sociedade pode fazer"

O ex-primeiro-ministro José Sócrates reafirmou este sábado, em Famalicão, que a sua detenção e prisão foi "politicamente motivada" com o objetivo de o impedir de se candidatar, tal como alguns pensavam, a Presidente da República.

"A intenção era retirar-me do espaço público, calar-me como voz pública e impedir-me, porque era o que pensavam, que me candidatasse a Presidente da República", frisou novamente José Sócrates, durante a conferência "Conversas da República", realizada na sexta-feira à noite e promovida pelo PS/Vila Nova de Famalicão.

O antigo dirigente socialista insistiu que a única motivação que pode explicar a sua prisão é política, frisando ter sido vítima de uma "violência absolutamente injustificada", porque, ao fim de dois anos, o Estado continua sem apresentar uma acusação contra si.

"O que estão a fazer comigo é o ato mais abjeto e mais repugnante que uma sociedade pode fazer. É condenar alguém sem lhe dar oportunidade de defesa, sem lhe dar julgamento, nem sequer acusação", salientou.

Na sua opinião, o Estado não tem o direito de apontar o dedo e considerar alguém eternamente suspeito.

O ex-governante realçou que o prazo para apresentar a acusação não terminou há uma semana ou há 15 dias, mas sim a 19 de outubro de 2015, por isso, o único suspeito é agora o Estado.

"Se eles não acusam, acuso eu. O Estado já teve a sua oportunidade, mas a verdade é que nunca apresentou as provas porque nunca as teve, não as têm, nem as vai ter, porque não pode ter provas do que nunca aconteceu, tudo o diz é mentira", sustentou.

E acrescentou: "todo este procedimento é indecente e ilegal e eles sabem-no".

O Estado tem de provar o que disse e não pode demorar dois anos, é "inaceitável", vincou.

José Sócrates relembrou que há dois anos que reclama a sua inocência - altura em que foi detido e preso preventivamente -, mas que não se pode defender mais não é conhecida a acusação.

E questionou: "é possível uma República Democrática deter, prender e fazer campanha e ao fim de dois anos não apresentar acusação".

Considerando haver um "problema sério" com a justiça criminal, o socialista classificou a sua detenção como uma "montagem cinematográfica", dado ter sido transmitida em direto.

O ex-governante achou que há uma "aliança" entre setores da justiça e órgãos de comunicação social que visa um "benefício mútuo".

A Operação Marquês conta com 12 arguidos, entre os quais José Sócrates, que esteve preso preventivamente mais de nove meses, tendo esta medida de coação sido alterada para prisão domiciliária, com vigilância policial, a 04 de setembro de 2015.

Desde outubro que está em liberdade, embora proibido de se ausentar de Portugal e de contactar com outros arguidos do processo.

Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa, indiciado pelos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.

Lusa

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