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Arguido afirma que disparou sem intenção de matar em discoteca de Coimbra

Um homem de 40 anos, que esteve fugido às autoridades, começou esta quarta-feira a ser julgado pelo Tribunal de Coimbra por dois crimes de tentativa de homicídio, junto a uma discoteca, admitindo que disparou, mas sem intenção de matar.

O homem, natural da Suécia e que residia em Coimbra à data dos factos, é acusado pelo Ministério Público de dois crimes de homicídio qualificado na forma tentada e um crime de detenção ilegal de arma, por disparar contra duas pessoas à frente de uma discoteca da cidade, a 16 de março de 2008.

Durante o início do julgamento, o arguido admitiu que disparou contra um grupo, à porta da discoteca, sublinhando que a sua intenção "não era matar ninguém".

No entanto, os disparos foram registados na parte superior do corpo das duas vítimas, atingindo-as "de raspão", e os restantes tiros passaram pelo blusão de um dos homens, na zona do colarinho e no bolso esquerdo.

Tudo começou, contou, com desacatos dentro da discoteca, depois de um dos homens ter abordado uma amiga sua, de 17 anos.

Após afastá-lo, acabou por levar "um soco", tendo ficado a sangrar do nariz, referiu, afirmando que, depois do incidente, abandonou o local.

Um pouco mais tarde, voltou à discoteca para dar uns casacos a um casal amigo, tendo levado consigo uma arma por medo de voltar a ser agredido, disse o arguido ao coletivo de juízes.

Admitindo estar sob o efeito de álcool e cocaína, o suspeito alegou que viu um dos homens de um grupo de seis a retirar "uma arma do bolso", tendo disparado de seguida contra esse grupo.

"Tinha apanhado antes e tive medo da situação", justificou o arguido, que foi perseguido pelo grupo até ao seu carro, tendo sofrido vários socos, murros e pontapés, como refere o Ministério Público no despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso.

Conduzido para os Hospitais da Universidade de Coimbra, o homem de 40 anos acabou por fugir das autoridades quando estava num dos gabinetes de triagem.

O arguido foi encontrado no Brasil, onde trabalhava num laboratório de próteses dentárias e onde já tinha constituído família, em Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina.

Segundo a defesa, o arguido esteve detido 28 meses à espera de extradição, que ocorreu em agosto passado.

A extradição foi efetuada para que o arguido fosse julgado.

À luz do princípio da especialidade e tendo sido efetuada a extradição pelos crimes de tentativa de homicídio, o arguido não será julgado pelos crimes de ofensa à integridade simples e de evasão de que também era acusado.

Lusa

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