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Lisboa deverá ter 60 cacifos para sem-abrigo até ao final do ano

© Rafael Marchante / Reuters

Os promotores do projeto Cacifos Solidários, que apoia sem-abrigo e teve início na freguesia lisboeta de Arroios há três anos, com 12 unidades, esperam poder contar até ao final do ano com um total de 60 cacifos na capital.

O projeto, levado a cabo pela Associação Conversa Amiga (ACA), arrancou há três anos no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que hoje se assinala.

De acordo com o presidente da ACA, Duarte Paiva, o projeto permite que, no contexto de rua, as pessoas em condição de sem-abrigo "não só tenham um local seguro e digno onde possam guardar os seus pertences, mas também permite um acompanhamento onde em mais de 40% dos casos significou a saída da rua".

Porém, mantém-se ainda o impasse sobre a colocação de 24 cacifos nas zonas do Rossio e do Oriente, mas a Câmara Municipal está a "abrir caminho" para desbloquear as autorizações.

"Até ao momento houve rejeição ou não resposta das três juntas de freguesia para onde se destinam 36 novos cacifos (Parque das Nações, Misericórdia e Santa Maria Maior). Para estas, estão destinados 12 cacifos para cada uma de três localizações diferentes - Martim Moniz, Oriente e Cais do Sodré", explicou.

No impasse, "que já se tornou longo", segundo Duarte Paiva, foi solicitada a ajuda do município, enquanto parceiro do projeto e também no âmbito do Núcleo de Planeamento e Intervenção Sem-Abrigo (NPISA) de Lisboa.

"Neste momento aguardamos por uma boa resolução do assunto, dado que já passou demasiado tempo e muito empenho foi depositado neste projeto. De momento, e o que mais nos custa, é saber que 36 pessoas não estão a beneficiar desta solução. Se multiplicarmos estas pessoas pelas que já podiam ter sido apoiadas, tendo por comparação os 24 cacifos já existentes, então o número de quem podia ter beneficiado é quase o dobro", lamentou o responsável.

Passados três anos da implantação do projeto-piloto em Arroios, Duarte Paiva faz um balanço positivo, avançando estar pronto para continuar e "fechar o ano com uma rede total de 60 cacifos".

"Hoje, passadas 47 pessoas nos 24 cacifos atuais, podemos afirmar que é uma solução válida, que deve existir. Mas o projeto vai muito para além dos cacifos, ele integra uma equipa profissional que acompanha cada pessoa que tem um cacifo", explicou.

Para além das pessoas que têm cacifo, a equipa apoiou cerca de 200 outros casos.

"Cada vez mais os cacifos funcionam como um degrau entre a rua e uma melhor solução. Citando algumas das pessoas que utilizam ou já utilizaram o projeto Cacifos Solidários, as palavras de apreço têm sido muitas e significativas: 'Antes tinha um problema de 100 quilos na cabeça e agora é de 40' ou 'O cacifo não dá para dormir, mas é como se fosse uma casa'", disse Duarte Paiva.

O trabalho é realizado no âmbito do NPISA ao nível de gestão de casos, equipa técnica de rua e apoio na saúde.

Lusa

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