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Abraço pede a seropositivos que mostrem que VIH "não é um bicho-de-sete-cabeças" 

O presidente da Abraço, Gonçalo Lobo, apelou aos doentes que comecem "a dar a cara" pela infeção VIH e mostrem à sociedade que ser seropositivo não é "um bicho-de-sete-cabeças", contribuindo assim para acabar com a discriminação.

O apelo de Gonçalo Lobo surge no Dia Mundial da Luta Contra a Sida, uma infeção que atinge cerca de 45.000 pessoas em Portugal, segundo um estudo recente realizado por especialistas portugueses em articulação com o Centro Europeu de prevenção e Controlo de Doenças.

O estudo estima que menos de 5.000 pessoas em Portugal estejam infetadas sem saberem com VIH/SIDA.

"Queremos apelar para que as pessoas comecem a dar a cara pela infeção pelo VIH e que possam, de um modo sereno e tranquilo", revelar "o seu estatuto serológico perante a sociedade", disse à agência Lusa Gonçalo Lobo.

Para o presidente da associação, é importante que "isto aconteça cada vez mais, para as pessoas perceberem que [ser seropositivo] não é um bicho-de-sete-cabeças e que não vai ferir ou magoar a vida desta pessoa".

"Isto passa por uma sociedade mais tolerante, mais inclusiva e mais informada, porque a discriminação só existe porque grande parte das pessoas estão desinformadas, não sabem o modo de transmissão do vírus VIH e, principalmente, como é que ele não se transmite", sublinhou.

Gonçalo Lobo apontou casos como a Alemanha, em que o que está em discussão "é as pessoas com VIH mostrarem que são capazes de fazer qualquer tipo de trabalho e dão a cara por isso".

Em Portugal, "ainda estamos no estadio em que as pessoas não dão a cara", disse, lamentado a discriminação que ainda existe face à doença.

A discriminação "existe e nós sabemos que ela existe. Já acompanhámos e continuamos a acompanhar casos nesse âmbito".

"Obviamente que ninguém diz que perde o emprego por ser infetado pelo VIH, ninguém diz que vê um crédito vedado porque foi revelado o estatuto serológico dessa pessoa", contou.

No entanto, há mecanismos que permitem as entidades salvaguardarem-se e despedirem, não concederem créditos, seguros de saúde e até mesmo discriminarem no atendimento ao público, como acontece em alguns serviços hospitalares, disse o presidente da Abraço, associação que apoia cerca de 500 pessoas.

Neste ano, a Abraço alargou as suas respostas a outros distritos do país, tendo aberto o projeto "Mais abraço" em Aveiro, onde são realizados testes rápidos para despistagem do VIH, e um centro comunitário no Porto destinado a homens que têm sexo com homens.

"As pessoas nas grandes cidades têm mais informação", enquanto as que vivem em meios pequenos "não estão tão familiarizadas" com esta problemática, disse.

Apesar do maior número de infeções ocorrer em Lisboa, a Abraço acredita que também é preciso "consciencializar e intervir" noutras regiões do país.

Outra preocupação são os casos de VIH nos idosos, uma situação que carece de intervenção, uma vez que estas pessoas têm que estar "conscientes e informadas" sobre a utilização do preservativo.

"Há pessoas com mais idade que estão atentas ou porque já tiveram um caso na família ou porque têm outra forma de viver a sua sexualidade", mas há outras que, "dado ao país que somos do ponto de vista cultural, religioso, têm algum tabu" em falar sobre este tema, disse Gonçalo Lobo.

Lusa

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