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Pai de meninas mortas em Oeiras aponta comportamento "agressivo" e "paranoico" da mãe

MANUEL DE ALMEIDA

O pai das duas meninas que morreram em fevereiro de 2016 junto ao Forte da Giribita, em Paço de Arcos (Oeiras), apontou esta quarta-feira em tribunal um "comportamento agressivo" por parte da mãe das crianças e uma "paranoia da perseguição racista".

Sónia Lima está acusada pelo Ministério Público (MP) do duplo homicídio das filhas, de 19 meses e 4 anos, que morreram afogadas junto ao forte (distrito de Lisboa), a 15 de fevereiro de 2016.

Na segunda sessão de julgamento, que decorreu esta quarta-feira no Tribunal de Cascais, o pai das crianças, assistente no processo, relatou ao coletivo de juízes o comportamento da arguida no fim da relação e disse que as próprias filhas já lhe tinham manifestado "medo" da mãe.

A separação do casal ocorreu em novembro de 2015, altura em que Sónia Lima começou, segundo Nelson Ramos, a revelar um "comportamento agressivo" e "a ser paranoica", acusando-o de ser "pedófilo" por dar beijinhos nas filhas.

Proibido de visitar as filhas por livre vontade desde a separação, segundo contou, Nelson Ramos disse ter sido ameaçado pela ex-companheira e uma amiga próxima, agente da PSP, que acreditava nas acusações da arguida.

"Chamavam-me pedófilo e porco e a Sónia dizia-me: 'Só vês as meninas quando eu quiser e onde eu quiser. Se eu não quiser, nem as vês mais'. Não sei ao que ela se referia", acrescentou Nelson Ramos, sublinhando que Sónia nunca tinha dado indícios de pensar em suicídio.

Na véspera de Carnaval, na última visita que fez às filhas, Sónia "mostrou-se muito agressiva", de acordo com Nelson Ramos.

"Levei umas coisas às meninas, umas máscaras, e ela deitou tudo para o lixo à frente das meninas. A mais velha disse-me, com ar muito assustado, 'pai, tenho medo'. A Sónia estava muito magra e muito pálida e a menina só dizia que tinha medo", contou.

Nelson Ramos interrompeu várias vezes as suas declarações devido ao choro.

O pai das menores relatou ainda vários episódios de agressividade de Sónia, incluindo discussões na via pública com desconhecidos, e com uma "paranoia de perseguição racista".

Nelson Ramos disse ter chegado a contactar a Associação de Apoio À Vítima (APAV) e a Comissão da Proteção de Menores da Amadora para alertar para o comportamento da mãe e para as acusações "sem fundamento" de pedofilia de que estava a ser alvo.

Perante esses contactos, responderam que "o caso já estava a ser seguido pelas autoridades", referiu.

Segundo a acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, a 15 de fevereiro, a arguida, acompanhada das filhas, saiu da casa dos seus pais, na Amadora, onde as três tinham passado o fim de semana.

Após o almoço, e até cerca das 20:00, Sónia Lima "deambulou por várias localidades da Área Metropolitana de Lisboa" com as filhas, de carro e, a partir das 15:00, ficou incontactável.

"Cerca das 20:00, quando circulava na Avenida Marginal, no sentido Oeiras/Lisboa, a arguida imobilizou o seu veículo no parque de estacionamento junto ao Forte da Giribita", relata o despacho de acusação.

De seguida, de acordo com o MP, Sónia Lima saiu com as filhas do carro, dirigiu-se às escadas existentes junto ao forte e desceu até às rochas.

"Entrou com as filhas no mar, o que fez com o propósito de lhes vir a tirar a vida. A arguida largou então a filha Viviane (à data com 19 meses), a qual, devido à sua tenra idade, à corrente e à ondulação, foi de imediato submersa", descreve a acusação.

Apesar de se ter "agarrado inicialmente à arguida e de ter tentado manter-se à tona de água, passado um curto período de tempo", Samira Ramos acabou também por submergir.

O corpo da criança de 19 meses foi encontrado no dia do desaparecimento, enquanto o da sua irmã esteve desaparecido durante sete dias, até que foi encontrado na praia de Caxias, em Oeiras.

Para o MP, a arguida agiu "livre, deliberada e conscientemente com o propósito concretizado de tirar a vida às suas filhas".

Na primeira audiência de julgamento, a arguida rejeitou a acusação e explicou que tinha levado as filhas para urinar nas rochas da praia.

Também esta manhã foi ouvido o taxista que resgatou Sónia Lima das rochas e que contou ter-se apercebido dos gritos das crianças, embora não as tivesse conseguido ver e muito menos resgatar.

João Carvalho sublinhou ainda que "o mar estava muito bravo" e que "era muito difícil andar pelas rochas". Segundo o taxista, Sónia Lima disse-lhe, quando a tirou do mar, "deixe-me ir que é uma dor muito grande".

Lusa

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