sicnot

Perfil

País

Violência, toxicodependência e sexo devem ser temas falados na escola

TIAGO PETINGA / Lusa

O Presidente da República defendeu esta quarta-feira que a educação para o ambiente "deve começar no básico do básico" e que temas como a violência, a toxicodependência e o sexo também deve ser falados na escola.

Marcelo Rebelo de Sousa falava perante cerca de 200 alunos do 8.º ao 12.º anos, na Escola Secundária Ibn Mucana, no concelho de Cascais, Lisboa, durante uma aula que durou mais de uma hora e meia, em resposta a uma pergunta sobre o ambiente.

"A educação para o ambiente é crucial, deve começar no básico do básico, para não dizer no pré-escolar", afirmou o chefe de Estado, acrescentando que é "muito pouco conservador" em certas realidades.

"Eu aí, confesso, sou muito pouco conservador. Acho que há realidades como a violência, o ambiente, a toxicodependência, o sexo, e outras realidades assim, em que, à sua maneira, muito cedo se tem de se ter a noção do que é respeitar as outras pessoas e viver com elas, e que há formas diferentes de falar disso em vários momentos da vida", declarou.

Segundo o Presidente da República, "é um absurdo achar que as pessoas podem contactar com essas realidades no dia a dia, na televisão, na Internet, e não falar nisso na escola".

"Como é que é possível?", questionou.

Logo de seguida, o sistema de som emitiu um ruído que interrompeu o chefe de Estado.

"Isto foi um protesto conservador contra mim", observou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sobre o ambiente, o Presidente da República defendeu que "não há verdadeiro desenvolvimento humano se, além de haver criação de riqueza, não houver criação de condições ambientais em geral para todos", a nível global.

"Isso leva a alterar a forma como se cria a riqueza, como se produz, como se vive. Temos de mudar a nossa maneira de viver, a maneira como se consome", advogou.

No final desta aula, Marcelo Rebelo de Sousa falou aos jornalistas e foi questionado sobre a notícia de que o Governo prepara um novo projeto sobre a identidade de género que poderá descer para os 16 anos a idade legal para a mudança de sexo e eliminar a obrigatoriedade de um atestado médico.

"Eu não comento projetos de diplomas legais. Vamos esperar. Quando houver um diploma legal sobre qualquer matéria, essa ou outra, eu receberei, e depois ponderarei. Agora, estar a especular sobre um diploma que não existe, acho que o Presidente não o deve fazer", respondeu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa já tinha visitado esta escola há um ano, em campanha para as eleições presidenciais de 24 de janeiro de 2016.

Hoje, esteve acompanhado pela secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, e pelo presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras, e prometeu voltar daqui a quatro anos, em janeiro de 2021.

Na sua conversa com os alunos, o Presidente da República foi também questionado sobre o que aconteceria a Portugal se decidisse sair da União Europeia e, na resposta, realçou a complexidade das negociações para a saída do Reino Unido.

"Mesmo uma grande economia percebe que é muito complicado quando se pertence a uma família haver um divórcio, mesmo amigável", disse Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que "são milhentos problemas".

Dirigindo-se aos jovens que enchiam a sala, concluiu: "Sabem que uma coisa é aquilo que apetece às vezes dizer à mesa de um café quando estamos com amigos, outra coisa depois são as consequências, os efeitos do que isso seria se passasse de uma conversa à mesa do café para uma decisão política de fundo".

Lusa

  • "Quem faz isto sabe estudar os dias e o vento para arder o máximo possível"
    4:15
  • O balanço trágico dos incêndios do fim de semana
    0:51

    País

    Mais de 500 mil hectares de área ardida, 42 vítimas mortais, 71 de feridos, dezenas de casas e empresas destruídas. É este o balanço de mais um fim de semana trágico para Portugal a nível de incêndios florestais.

  • 2017: o ano em que mais território português ardeu
    1:41

    País

    Desde janeiro, houve mais área ardida do que em qualquer outro ano na história registada de incêndios florestais. Segundo dados provisórios do Sistema Europeu de Informação sobre Fogos Florestais, mais de 519 mil hectares foram consumidos pelas chamas até 17 de outubro, o que representa quase 6% de toda a área de Portugal. 

  • "Viverei com o peso na consciência até ao último dia"
    3:00
  • O que resta de Tondela depois dos incêndios
    1:07

    País

    O concelho de Tondela é agora um mar de cinzas, imagens recolhidas pela SIC com um drone mostram bem a dimensão do que foi destruído pelos incêndios. Perto 100 habitações principais ou secundárias, barracões, oficinas e stands arderam. 

  • Moradores reuniram esforços para salvar idosos das chamas em Pardieiros
    2:50

    País

    O incêndio de domingo em Nelas fez uma vítima mortal: um homem de 50 anos, de Caldas da Felgueira, que regressava de uma aldeia vizinha, onde tinha ido ajudar a combater as chamas. Em Pardieiros, no concelho de Carregal do Sal, várias casas arderam e uma jovem sofreu queimaduras ao fugir do incêndio. Durante o incêndio, pessoas reuniram esforços para salvar a povoação.

  • A fotografia que está a correr (e a impressionar) o Mundo

    Mundo

    A fotografia de uma cadela a carregar, na boca, o cadáver calcinado da cria está a comover o mundo. Entre as muitas fotografias que mostram o cenário causado pelos incêndios que devastaram a Galiza nos últimos dias, esta está a causar especial impacto. O registo é do fotógrafo Salvador Sas, da agência EFE. A imagem pode impressionar os mais sensíveis.

  • As lágrimas do primeiro-ministro do Canadá

    Mundo

    O primeiro-ministro da Canadá, Justin Trudeau, emocionou-se esta quarta-feira ao falar de um artista que morreu depois de perder uma luta contra o cancro. Gord Downie, vocalista da banda de rock canadiana "The Tragically Hip", faleceu esta terça-feira, aos 53 anos, vítima de um tumor cerebral.