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Incêndio atinge palácio do século XIX em Loulé

Incêndio atinge palácio do século XIX em Loulé

Um palácio do século XIX, em Loulé, foi esta terça-feira destruído por um incêndio. Era um edifício histórico da cidade, entretanto comprado por fundos ingleses que queriam fazer um condomínio privado nos terrenos. Por falta de autorização da autarquia, o edifício foi deixado ao abandono. O presidente da Câmara acredita que esta situação pode ter precipitado o incêndio.

O alerta de incêndio, que destruiu parcialmente o imóvel, foi dado às autoridades pelas 06:10.

Segundo a fonte do CDOS, o fogo estava em fase de rescaldo pelas 09:30, estando no local 10 veículos e 25 operacionais.

À agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, disse lamentar a "perda de um património sentimental da cidade e dos louletanos".

Apoiando-se nas informações provisórias que recebeu dos operacionais no terreno a meio da manhã, Vítor Aleixo explicou que o fogo fez o telhado do palácio colapsar, mas sublinhou que "há uma parte ainda considerável do edifício que ficou de pé e que pode ser a base de uma recuperação".

O palácio foi mandado construir pelo ex-presidente da Câmara Municipal de Loulé Marchal de Azevedo Pacheco, que esperava receber o rei D. Carlos durante uma visita ao Algarve, o que acabou por não acontecer.

Desabitado, o Palácio da Fonte da Pipa tem vindo a ser alvo de vandalismo ao longo dos anos.

Vitor Aleixo disse que entre as causas apontadas para o incêndio está a possibilidade de alguns toxicodependentes que usavam o palácio como abrigo ocasional terem feito um fogo no seu interior para se aquecerem e terem perdido o controlo às chamas.

O palácio é propriedade de uma empresa detida por um fundo inglês, explicou o presidente da Câmara, sublinhando que a autarquia não tem competências para intervir naquele edifício.

"Acho que os proprietários, ao negligenciarem aquele palácio, acabaram por perder o principal ativo daquela propriedade, que tem estado ali durante décadas à espera de condições para poder ser urbanizada", comentou o autarca.

Com arquitetura inspirada nos palacetes do norte da Europa do século XIX, este palácio foi decorado pelo pintor e ceramista lisboeta José Pereira Júnior, que trabalhou no restauro e na decoração do Palácio da Ajuda na altura do casamento do príncipe D. Luís.

Até aos dias de hoje, o Palácio da Fonte da Pipa passou por vários proprietários, que fizeram alterações, mas nunca foi habitado.

Com Lusa

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