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Porque é que um vídeo do patrão da Padaria Portuguesa se tornou viral?

Um direto na Edição da Manhã da SIC Notícias transformou-se num dos vídeos mais vistos na internet e discutidos nas redes sociais. Nuno Carvalho, um dos donos da Padaria Portuguesa, foi um dos patrões ouvidos na emissão sobre o aumento do salário mínimo. Mas ao contrário dos testemunhos de patrões do têxtil ou da hotelaria, o de Nuno Carvalho motivou um comentário de Daniel Oliveira no facebook. Foi o rastilho

Faz ou não sentido aumentar o salário mínimo nacional? Que impacto é que a medida tem nas empresas e na criação de emprego? E qual a melhor forma de compensar um aumento que é superior à inflação e nem sempre é acompanhado pela produtividade? Estas questões têm dominado a política nacional e hoje, no dia em que o Parlamento chumba a descida da TSU, a SIC Notícias foi para a rua ouvir patrões de vários setores.

As declarações de Nuno Carvalho à jornalista Teresa Camarão surgiram neste contexto. Não são especialmente longas, nem sequer uma grande novidade - vários patrões, e não só, defendem o mesmo há muito tempo e até de forma mais determinada -, mas a defesa de um mercado de trabalho mais liberal e elástico provocou enorme celeuma nas redes sociais. As declaração são exatamente estas.

Três horas depois deste direto da Edição da manhã, o comentador Daniel Oliveira fez um detalhado post sobre as declarações de Nuno Carvalho. "Note-se que 25% da massa salarial implica uma percentagem absurda de trabalhadores (perdão, "colaboradores") com salários abaixo de 557 euros (perdão, em "regime de transição")", é o arranque do curto e incisivo texto. "Não me espanta que quem baseie o seu negócio nos salários baixos considere que a grande prioridade dos portugueses não é o aumento do salário mínimo (que só interessa aos políticos, claro), mas a liberalização dos despedimentos, o fim dos limites legais ao horário de trabalho e uma redução considerável do pagamento de horas extra, não penalizando as empresas que contratam menos trabalhadores do que aqueles que necessitam para funcionar", prossegue o colunista do Expresso e co-autor do Eixo do Mal.

Os comentários propagaram-se no mural de Daniel Oliveira, quase todos a concordar com a posição do comentador, mas também com outros a chamar a atenção para o ponto de vista dos empregadores."Você, provavelmente nunca empregou ninguém e não sabe a quantidade de postos de trabalho que não se criam devido à rigidez da legislação laboral nem a quantidade de trabalhadores que não são devidamente compensados hoje para evitar custos amanhã", afirmava Luís Paulo Pinto. Daniel Oliveira respondeu, dizendo que "não percebo é porque é que, depois de várias alterações laborais para facilitar o despedimento, isso nunca teve o efeito prometido na criação de emprego. Só o tornou mais precário".

A polémica, naturalmente prolongou-se ao twitter. Mário Azevedo Lopes, blogger no Insurgente, saiu em defesa da Padaria Portuguesa, pelo número de empregos que cria, pela inovação e por ter muitos funcionários pagos acima da concorrência. Outros anunciaram boicotes à cadeia de padarias e outros ainda ficaram escandalizados com o que se paga em impostos sobre o trabalho em Portugal, para um retorno alegadamente baixo.

A polémica não é nova, divide economistas, políticos, comentadores, a população em geral. Mas, a verdade, é que uma simples declaração de um dos patrões da Padaria Portuguesa fez renascer o debate sobre o salário mínimo de forma mais eficaz que qualquer político, com o vídeo a ser visto milhares de vezes.

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