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SNS não está preparado para enfrentar aumento do número de cancros

O Sistema Nacional de Saúde (SNS) não está preparado para enfrentar o crescimento anunciado do número de cancros, sendo que a solução passará pela "coordenação" entre hospitais especializados e médicos de família, defendem especialistas.

À margem de uma jornada que reuniu em Braga, no Instituto Ibérico de Nanotecnologia (INL) investigadores na área do cancro, no âmbito do Nano World Cancer Day 2017, a investigadora do Centro Clínico Champalimaud Fátima Cardoso alertou a insuficiência não é exclusiva SNS português uma vez que "nenhum país do mundo" está preparado para enfrentar as estimativas para incidência de doença oncológica, que no futuro poderá atingir uma em cada duas pessoas.

"Não está em Portugal mas também não está em nenhum país do mundo, não é uma deficiência do nosso SNS", afirmou Fátima Cardoso, quando questionada sobre se o SNS estaria preparado para responder à previsão do aumento do número de doentes oncológicos.

A investigadora, que colocou de lado "alarmismos", apontou como caminho a seguir o desenvolvimento da coordenação entre investigadores e os chamados médicos de família: "A saúde familiar é indispensável porque para uma doença que pode atingir metade da população, um em cada duas pessoas, não haverá médicos especialistas diferentes", referiu.

A importância dos médicos de família trespassa, defendeu, todo o processo oncológico. "Em muitas partes da história do cancro, desde o diagnóstico, ao rastreio, depois durante o tratamento, a ajudar para os efeitos secundários e depois o seguimento, a maior parte destas pessoas vai sobreviver, vai ficar bem dessa doença, vai viver.

Eu vejo que a única solução é uma integração dos cuidados de saúde primários, os chamados médicos de família, a trabalharem em íntima colaboração com os hospitais mais especializados", concluiu.

Ou seja, simplificou, "é preciso colaborar, colocar os cientistas, mais habituados a trabalhar nos laboratórios, colocar esses cientistas a trabalhar conjuntamente com os clínicos, aqueles que lidam com a doença no dia-a-dia".

Fátima Cardoso apontou ainda uma outra preocupação: "A disparidade de acesso, entre países e dentro de cada país. Como é que vamos lutar contra uma medicina a duas velocidades, a daqueles que podem pagar e a dos que não podem pagar", disse.

Os investigadores realçaram ainda a importância do diagnóstico precoce da doença, processo no qual a nanotecnologia e a imagiologia terão um "papel fundamental", salientando ainda a "sensibilidade e empenho" existente para investir na investigação de técnicas que permitam aquele diagnóstico.

"Estamos cada vez melhor em relação aos meios de diagnóstico precoce mas há ainda tumores que nos põem problemas porque não são de grande crescimento ou são de difícil acesso. Quando há sintomatologia, os doentes estão claramente numa fase avançada da doença", explicou Raquel Seruca, do i3S-Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Porto, Mutações de E-caderina em cancro.

Pelo que, continuou, "a nanotecnologia vai ser fundamental, vai ser a maneira com que algumas partículas cheguem às células neoplásicas, emitam sinal que depois é detetado pela imagiologia, sem duvida que o caminho da nanotecnologia e imagiologia vai ser fundamental para métodos precoces de rastreio".

Por isso, os investigadores realçaram a importância da investigação mas, avisaram, "estas coisas exigem financiamento". "Há muita sensibilidade e cada vez há mais, isso é importante reconhecer. Há claramente sensibilidade e empenho em investir nesta área", salientou o investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular, João Nuno Moreira.

Lusa

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