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Polícia e moradores trocam acusações sobre agressões durante despejo na Amadora

Três elementos da PSP foram esta terça-feira agredidos por um morador do Bairro 6 de Maio, na Amadora, durante operações de despejo, segundo a polícia, enquanto a associação Habita afirma que foi a polícia a agredir o morador.

Em declarações à agência Lusa, o comandante da Divisão da Amadora da PSP, Luís Pebre, disse que os polícias agredidos foram encaminhados para o hospital Amadora-Sintra, onde se encontram ainda "em observação".

"Um tem a boca toda rebentada, outro tem a perna marcada e outro não sei", adiantou o comandante da Divisão da Amadora da PSP.

De acordo com Luís Pebre, o morador do Bairro 6 de Maio "agrediu violentamente três polícias e foi detido".

"Esse senhor tentou agredir o comandante da Polícia Municipal da Amadora e depois agrediu três polícias fardados", reforçou.

Já o coletivo Habita - Associação pelos Direitos à Habitação e à Cidade declarou, em comunicado, que "a polícia agrediu um morador que procurava interceder pacificamente sobre a sua situação de precariedade".

"Este morador está bastante ferido na cara e foi detido, como se tivesse cometido algum crime", contou a presidente do coletivo Habita, Rita Silva, considerando que "tamanha violência é inaceitável, não pode continuar a acontecer num Estado de Direito".

Para Rita Silva, trata-se de "uma selvajaria e um ataque aos mais vulneráveis, quando o ónus está no Estado, que não desenvolve as políticas necessárias e da sua responsabilidade para que o direito à habitação seja uma realidade em Portugal".

Apesar deste incidente, o comandante da Divisão da Amadora da PSP afirmou que "está tudo a correr bem, dentro daquilo que era expectável". No âmbito das operações de despejo no Bairro 6 de Maio, da responsabilidade da Câmara da Amadora, o papel da PSP foi de "apoio para salvaguardar a intervenção" e "manter a ordem pública".

A 20 de janeiro, a Câmara da Amadora assegurou que ia prosseguir a erradicação do Bairro 6 de Maio, rejeitando o pedido dos deputados da Assembleia da República para suspender as demolições até ser encontrada uma solução, informou a coordenadora do grupo de trabalho parlamentar da Habitação.

"A Câmara da Amadora não assumiu o compromisso de parar com as demolições, disse que ia continuar o trabalho que estava a fazer", disse Helena Roseta (PS), no final de uma audição da presidente da Câmara da Amadora, Carla Tavares (PS).

A audição decorreu à porta fechada e a autarca recusou prestar declarações no final.

Carla Tavares foi convidada a pronunciar-se no parlamento sobre os moradores desalojados do Bairro 6 de Maio, depois de estes e de o coletivo Habita - Associação pelos Direitos à Habitação e à Cidade terem sido ouvidos pelos deputados em dezembro e de terem exposto o problema dos desalojamentos, devido ao reinício das demolições, no âmbito do Programa Especial de Realojamento (PER).

Lançado em 1993, o programa PER visa proporcionar aos municípios condições para erradicarem barracas e para realojarem as famílias em habitações de custos controlados.

Lusa