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644 mortos em 2015 tinham álcool no sangue

(Reuters/ Arquivo)

© David W Cerny / Reuters

Desastres rodoviários, mortes naturais, suicídios ou intoxicações. Portugal registou 644 óbitos positivos para o álcool em 2015, revela o relatório sobre "A situação do país em matéria de álcool". Mas o verdadeiro número de mortos será muito maior.

Elaborado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), o relatório apresentado esta quarta-feira e contém dados sobre os registos específicos do Instituto Nacional de Medicina Legal, segundo os quais em 2015 constaram 644 óbitos positivos para o álcool:

  • 38% atribuídos a acidente,
  • 32% a morte natural,
  • 13% a suicídio,
  • e 6% a intoxicação alcoólica.

Os dados indicam que cerca de 51% dos 37 óbitos atribuídos a intoxicação alcoólica apresentaram resultados positivos só para o álcool e que em 35% dos casos foram detetados álcool e medicamentos, em particular benzodiazepinas.

Das 142 vítimas mortais de acidentes de viação que estavam sob a influência do álcool, cerca de 77% eram condutores, 17% peões e 6% passageiros. A maioria destas vítimas (71%) destas vítimas tinha uma taxa de álcool no sangue de 1,2 gramas por litro (1,2g/l).

Número de internamentos atribuíveis ao álcool tem vindo a aumentar

O relatório revela ainda que, no mesmo período, registaram-se em Portugal Continental 5.487 episódios de internamentos hospitalares (altas hospitalares) com diagnóstico principal atribuível ao consumo de álcool, na sua maioria relacionados com doença alcoólica do fígado (66%), nomeadamente cirrose alcoólica (52%) e o síndromo de dependência alcoólica (21%).

Segundo o documento, nos últimos quatro anos registou-se uma diminuição contínua no número destes internamentos: menos 5% em relação a 2014, menos 12% em relação a 2013 e menos 21% em relação a 2012.

No entanto, os autores ressalvam que, "se se considerar para além do diagnóstico principal também os secundários, o número de internamentos atribuíveis ao álcool é bastante superior (34.512) e tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos".

Em 2015, os internamentos relacionados com o consumo de álcool representaram, no total de internamentos hospitalares em Portugal Continental, cerca de 0,34% e 2,13%, consoante se considere apenas o diagnóstico principal ou também os secundários.

2.350 óbitos por doenças atribuíveis ao álcool

O Instituto Nacional de Estatística (INE), citado neste relatório, indica que, em 2014, registaram-se em Portugal 2.350 óbitos por doenças atribuíveis ao álcool, representando 2,23% do total de óbitos e um ligeiro aumento em relação a 2013 (+2%).

"A maioria era do sexo masculino (81%). A taxa de mortalidade padronizada para todas as idades foi de 16,2 óbitos por 100.000 habitantes, sendo inferior abaixo dos 65 anos (11,7) e bastante superior nos 65 e mais anos (53)".

Em 2014, o número médio de anos potenciais de vida perdidos por doenças atribuíveis ao álcool foi de 13,5 anos.

O relatório refere também que no âmbito da criminalidade diretamente relacionada com o consumo de álcool, registaram-se 22.873 crimes por condução com uma taxa superior a 1,2g/l, representando 46% do total de crimes contra a sociedade e 6% da criminalidade registada em 2015.

No último dia de 2015 estavam em situação de reclusão, 271 indivíduos por crimes de condução em estado de embriaguez ou sob a influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas.

No mesmo ano foram registadas pelas forças de segurança 26.815 participações de violência doméstica, 42% das quais com sinalizações de problemas relacionados com o consumo de álcool.

Com Lusa

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