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Ex-ministra defende que retenção de alunos deve ser substituída por modelo preventivo

Isabel Alçada, ministra da Educação

Lusa

A ex-ministra da Educação Isabel Alçada defendeu esta sexta-feira que a retenção de alunos deveria ser transformada "numa exceção", com os 380 milhões de euros que custa por ano ao Estado a serem investidos num modelo preventivo.

"A retenção entre nós é encarada como natural para recuperar o desempenho e temos décadas de estudos a comprovar o contrário", afirmou durante uma conferência destinada a analisar os resultados do PISA, um programa internacional de avaliação de alunos da OCDE.

O encontro realizou-se em Lisboa, por iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com a presença dos ex-ministros da Educação de 2002 a 2015: David Justino, Maria do Carmo Seabra, Maria de Lurdes Rodrigues, Isabel Alçada e Nuno Crato, com a moderação do também ex-ministro Eduardo Marçal Grilo.

Para Isabel Alçada os 380 milhões de euros por ano que custam as retenções dos alunos portugueses ao Estado deveriam ser investidos num modelo de prevenção para apoiar as famílias e os professores.

A ex-ministra do segundo Governo socialista de José Sócrates defendeu que a retenção está "administrativamente definida como obrigatória" para um determinado tipo de resultados, criticando que no sistema de ensino este modelo seja a regra e não a exceção.

"Todos os aspetos nos sucessivos estudos mostram que a retenção é negativa", sublinhou.

Isabel Alçada considerou que é possível harmonizar inclusão com exigência, uma ideia que já tinha sido manifestada por Andreas Schleicher, diretor de Educação e Competências da OCDE, segundo o qual ao longo dos anos "o sistema educativo em Portugal ficou mais inclusivo".

Em análise esta sexta-feira estiveram os resultados do PISA 2015, divulgados em dezembro, e nos quais Portugal ficou pela primeira vez à frente da média da OCDE.

O programa avalia as competências dos alunos de 15 anos em três domínios: leitura, matemática e ciências.

A ex-ministra frisou que o PISA tem tido um papel importante para pôr a educação na agenda política e chamou a atenção para o grupo dos alunos que não atinge os níveis mais elementares - 24% em matemática e 17% em leitura.

Também o antigo ministro da Educação David Justino se mostrou contra as retenções, afirmando que se traduzem "em destruição de capital humano".

"Continuamos com taxas de insucesso elevadíssimas", considerou o ex-ministro, referindo que este é o problema mais grave do sistema de ensino em Portugal.

Nuno Crato defendeu, por seu lado, que os exames do 4.º e do 6.º ano, que instituiu enquanto esteve à frente da pasta da Educação, "não fizeram mal a ninguém", e que "nem eram bem exames", porque "era preciso as condições serem muito más" para um aluno chumbar.

"Queremos que os alunos passem, mas que passem sabendo", disse.

O antigo governante frisou que em 2015 a retenção no 4.º ano, ainda com exame, foi de 2,2%, um "valor residual" e o mais baixo de sempre.

"O mesmo aconteceu no 9.º ano e no secundário. Isto aconteceu em momentos de crise. Melhorámos os resultados dos melhores e dos que estavam no fim da tabela", disse Nuno Crato, acrescentando que, apesar dos "resultados impressionantes nos últimos anos", é preciso continuar a baixar os níveis de abandono e retenção.

Lusa

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