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Cerca de 1,7 milhões de pessoas desenvolvem uma infeção fúngica em Portugal

© Ints Kalnins / Reuters

Cerca de 1,7 milhões de pessoas desenvolvem atualmente uma infeção fúngica em Portugal, concluiu um estudo do Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Ricardo Jorge divulgado esta sexta-feira.

Segundo o estudo, do total de pessoas afetadas em Portugal, 1,5 milhões desenvolvem uma infeção fúngica cutânea. A segunda infeção fúngica mais frequente no país é a candidíase vaginal, afetando anualmente mais de 150 mil mulheres com idades entre os 15 e os 50 anos, adianta este trabalho do Instituto Ricardo Jorge, publicado no âmbito de um projeto internacional que tem como objetivo estimar a incidência das infeções fúngicas a nível mundial.

"Como não são doenças de declaração obrigatória, foram utilizados dados publicados e outros estimados. Muitos destes dados foram baseados em diferentes populações de risco de forma a conseguir estimar a incidência ou prevalência das infeções fúngicas em Portugal", explicou Raquel Sabino, uma das autoras do estudo e representante portuguesa da rede Fundo Global de Ação para Infeções Fúngicas.

O Instituto Ricardo Jorge conclui também que, quando comparado com outros países europeus, Portugal apresenta "a mais elevada incidência anual de meningite criptococica, mas uma das mais baixas incidências de pneumonia por Pneumocystis".

"Uma vez que a asma afeta cerca de 10% da população adulta, estima-se que cerca de 17 mil pessoas sofram de asma severa por sensibilização fúngica e 13 mil sofram de aspergilose broncopulmonar alérgica", refere ainda o trabalho do Instituto Ricardo Jorge.

Segundo a investigadora portuguesa, a metodologia usada neste estudo "tem vindo a ser aplicada em mais 65 países por todo o mundo, cobrindo cerca de 5,6 mil milhões de pessoas até agora". As estimativas globais mostram que mais de 300 milhões de pessoas são afetadas por infeções fúngicas, afetando entre 1,8 a 3 % da população de cada país, e que ocorram anualmente mais de um milhão e meio de mortes causadas por infeção fúngica grave.

A investigador considerou ainda que estes estudos são uma "forma de alerta e sensibilização de extrema importância, uma vez que as infeções fúngicas são ainda muito negligenciadas e são responsáveis, anualmente, por mais mortes que, por exemplo, a tuberculose".

Lusa

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