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Verdes querem que os cidadãos sejam envolvidos no planeamento da emergência nuclear

O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) entregou no Parlamento, esta segunda-feira, um Projeto-lei que pretende que a emergência nuclear seja parte integrante não só do plano nacional de emergência de proteção civil, mas também dos planos de emergência de âmbito distrital e municipal, nomeadamente nos concelhos ribeirinhos do rio Tejo.

Para o PEV, os planos de emergência não deverão ser apenas testados em sala, mas também no terreno, "com os cidadãos e os agentes, a envolver em caso de acidente, mediante a realização de simulacros que visem informar e sensibilizar os cidadãos".

Os Verdes consideram ainda que Portugal deverá dotar-se de instrumentos eficazes para um caso de emergência radiológica, da tipologia de emergência relacionada com instalações nucleares.

O conhecimento sobre o que fazer em caso de emergência é considerado uma medida de prevenção importante para aumentar a segurança dos cidadãos.

O último simulacro de acidente nuclear na central de Almaraz realizou-se em 2013, e contou com a participação de elementos da Autoridade Nacional de Proteção Civil portuguesa. Contudo, os cenários usados pela proteção civil espanhola, para o Plano de Emergência Externo da Central de Almaraz, apenas consideram a necessidade de medidas de proteção dentro de um raio de 30 quilómetros da central, considerada a zona sujeita a um risco mais elevado em caso de acidente.

Ora o ponto mais próximo em Portugal está a cerca de 100 quilómetros, em linha reta, e as autoridades nacionais de proteção civil, de saúde e de ambiente consideram que a probabilidade de acidentes que gerem consequências para o território nacional é baixa. E asseguram que Portugal tem instrumentos de resposta para fazer face a uma emergência que resulte de um acidente nuclear em Almaraz.

Garantias que não descansam ecologistas, autarcas e os grupos parlamentares portugueses, que receiam que, mesmo a 100 quilómetros, território e populações do lado de cá da fronteira também sejam afetados negativamente, quer pela exposição direta a uma pluma radioativa, trazida pelo vento, quer pela ingestão de água ou alimentos contaminados, após deposição das partículas radioativas no solo ou em cursos de água.

A eventualidade de uma fuga com contaminação da água do Tejo, usada pelas centrais nucleares espanholas de Trillo e de Almaraz, é outra das preocupações que leva agora o PEV a apresentar este projeto-lei que prevê uma maior informação e a realização de testes que envolvam a população.

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