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Juíza de instrução manda julgar homem suspeito de matar gata em Coimbra

Um homem acusado de maus tratos a animais será julgado por suspeita de ter estrangulado e matado uma gata com um fio de 'nylon', em Coimbra, em junho de 2016, determinou esta quarta-feira uma juíza do Tribunal de Instrução Criminal (TIC).

O arquivamento do processo tinha sido proposto pelo Ministério Público, mas a juíza do TIC de Coimbra acabou por emitir hoje "um despacho de pronúncia muito fundamentado, considerando que a prova indiciária era suficiente para que haja uma probabilidade muito razoável de que o arguido tenha cometido mesmo o crime", disse aos jornalistas o presidente da associação Gatos Urbanos, Jorge Gouveia Monteiro, à saída do tribunal.

A gata Camila tinha sido encontrada enforcada com um fio de 'nylon' a 23 de junho de 2016, no logradouro do prédio do arguido, em Coimbra.O arguido é acusado do crime de maus tratos a animais, "dos quais resultou a morte" da gata, informou o presidente da Gatos Urbanos.

"Estamos satisfeitos porque vai a julgamento", notou Jorge Gouveia Monteiro, apesar de tecer algumas críticas à investigação da PSP, onde houve "falta de celeridade" e de "algumas diligências que poderiam ter sido muito importantes e que podem resultar num julgamento menos eficaz".

Para o presidente da associação, há "todo um caminho a fazer", considerando que o avanço civilizacional "que é a proteção dos animais contra os maus tratos é um avanço que tem de ser feito entre todos: juízes, agentes, cidadãos e procuradores do Ministério Público".

"A decisão de hoje e a condenação que esperamos obter em julgamento é importante como uma mensagem deixada à comunidade e à sociedade" de que, quando um animal é morto ou mal tratado, deve apresentar-se queixa.

A dona da gata, Ondina Ferreira, que apresentou queixa contra o arguido, mostrou-se "muito satisfeita" com a decisão da juíza, considerando que tem "sido um processo emocionalmente muito difícil".

"Nada vai trazer a Camila de volta, mas a possibilidade de fazer justiça agora é mais clara para mim", sublinhou aos jornalistas.Ondina Ferreira frisou que pretende que se faça justiça para a sua gata, "em nome de todos os animais mal tratados no país", esperando que o sucesso deste caso seja importante para ajudar outros animais que passam por situações semelhantes de maus tratos.

Lusa

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