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Pedalar a par de carros e camiões

Joel Canavilhas e Isabel Oliveira

Ricardo Rosa

Jornalista

Fomos de bicicleta de Lisboa a Setúbal e grande parte do caminho foi feito pela Nacional 10, estrada com bastante movimento. Ainda assim, ninguém se sentiu inseguro. E ninguém nos buzinou.

Desenhar um mapa das estradas mais seguras para andar de bicicleta pelo país, seja em deslocações diárias ou para cicloturismo, e assinalar os “pontos negros” são duas tarefas que constam no caderno de encargos do projeto “Dar a Volta”, da Faculdade de Motricidade Humana. A SIC acompanhou de perto a primeira etapa, que começou no centro de Lisboa e atravessou o Tejo de barco até à Costa de Caparica - percurso já relatado aqui. Mas a viagem ainda nem a meio ia.

Esta nova volta a Portugal em bicicleta propõe-se a seguir, sempre que possível, os trajetos da primeiríssima Volta, a de 1927. E logo no início viu-se forçada a uma alteração: há 90 anos, o pelotão passou por Cacilhas; ora atualmente, essa ligação fluvial apenas permite o transporte de quatro bicicletas por embarcação. Esse é até o caminho mais curto e também o que melhor serve a intermodalidade de quem vive da Cova da Piedade a Casal do Marco e trabalha na capital.

Joel Canavilhas e Isabel Oliveira

Atravessando o Tejo pela Trafaria, tal como se fez, outra opção para chegar a Setúbal seria passar pela Lagoa de Albufeira e cruzar a Serra da Arrábida. “O trajeto pela Lagoa de Albufeira é o mais bonito e o mais turístico, só que a via não tem berma e os carros não têm controlo de velocidade e com muita facilidade nos fazem uma razia”, contou à SIC a socióloga Ana Santos, mentora do projeto.

Chegado à Aroeira e depois de um almoço numa churrasqueira à beira da estrada, o grupo de dezena e meia de cicloturistas subiu assim até aos Foros da Amora para enveredar pela Estrada Nacional 10:

“A N10 é uma estrada com muito tráfego, mas com velocidade controlada por semáforos e bermas largas. Não é o trajeto de uma beleza extraordinária, a não ser a descida da Arrábida mas é o trajeto mais plausível do ponto de vista da segurança”.

Contudo, havia ainda um obstáculo para ultrapassar: o nó do Fogueteiro, onde a N10 se cruza com a Autoestrada do Sul e a estrada de Sesimbra (que por sua vez tem ligação à A33).

Ana Santos tinha feito trabalho de casa. Depois de várias experiências e com a ajuda do Google Maps encontrou uma solução, através das ligações às superfícies comerciais:

Pedalando pelas bermas, largas e em bom estado de conservação, a viagem seguiu tranquila passando ao lado da Quinta do Conde e atravessando Azeitão - pequena pausa da Quinta da Bacalhôa para uma fotografia junto a um grupo de soldados terracota pintados de azul.

Ricardo Rosa

Daqui para a frente, o passeio readquiriu a beleza que tínhamos cruzado na Mata dos Medos e na Aroeira. Com a ajuda do motor das bicicletas elétricas, a maior parte do grupo não deu conta da constante elevação, pouco perceptível até à saída de Vila Fresca. Aí sim, estava a subida mais visível, logo compensada por uma maior descida que praticamente só termina às portas de Setúbal.

Joel Canavilhas e Isabel de Oliveira

Foto do pelotão na Praça José Afonso, ainda há tempo para uma imperial perto do Sado antes de desligar o conta-quilómetros à porta da estação ferroviária. Porque a intermodalidade é outra palavra-chave de “Dar a Volta”, o regresso a Lisboa é feito de comboio. Tanto a CP, na linha das Praias do Sado (que vai até ao Barreiro), como a Fertagus, que atravessa a ponte e chega ao Areeiro, transportam bicicletas.

Joel Canavilhas e Isabel Oliveira

Cumprida a primeira etapa, a 26 de abril, a equipa de seis investigadores e professores voltou à estrada neste primeiro fim de semana de maio para duas novas viagens pelo Litoral Alentejano - de Setúbal a Sines e daí a Odemira -, de que daremos conta aqui em breve. E assim continuarão a “Dar a Volta” a Portugal, ao longo de um ano.

“A viagem de bicicleta é importante para o turismo das pequenas localidades que ficam longe dos circuitos das auto-estradas. Viajar de automóvel é ir de A a B, viajar de bicicleta é viver todo o percurso, parar e apreciar”.

O discurso de Ana Santos é complementado pelo empresário Fernando Marques, outro elemento do grupo:

"Quando vamos de carro, as férias só começam à chegada. Quando vamos de bicicleta, as férias começam logo à partida".

O uso do capacete e outros mitos da segurança

Circular na berma é permitido pelo Código da Estrada aos velocípedes, “desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões que nelas circulem”. Mas nem sempre há bermas ou estas não estão no melhor estado. Por regra, “devem transitar pelo lado direito da via de trânsito” mas “conservando das bermas ou passeios uma distância suficiente que permita evitar acidentes”.

Por outro lado, se uma bicicleta circular demasiado perto da berma, poderá criar a ilusão de que pode ser facilmente ultrapassada. E nas ultrapassagens, o Código também é claro:

“O condutor de um veículo motorizado deve manter entre o seu veículo e um velocípede que transite na mesma faixa de rodagem uma distância lateral de pelo menos 1,5 m, para evitar acidentes”.

Segundo a lei, aos velocípedes também permitido circular dois a dois paralelamente, “exceto em vias com reduzida visibilidade ou sempre que exista intensidade de trânsito”.

Importante é igualmente a proibição de andar de bicicleta nos passeios. Só mesmo as crianças até aos 10 anos o podem fazer.

Joel Canavilhas e Isabel Oliveira

Quanto ao uso do capacete, motivo de polémica, este não é obrigatório em Portugal (nem em nenhum outro país da União Europeia). A exceção: “os condutores e passageiros de velocípedes com motor e os condutores de trotinetas com motor e de dispositivos de circulação com motor elétrico, autoequilibrados e automotores ou de outros meios de circulação análogos devem proteger a cabeça usando capacete devidamente ajustado e apertado.

Também não é obrigatória matrícula nem seguro - ainda que muitos ciclistas o tenham. E o que acontece em caso de acidente cuja responsabilidade seja de um ciclista? Simples: “terá de pagar obviamente os danos causados do seu próprio bolso, tal como já o fazem por exemplo os peões”, como explica a Mubi - Associação pela Mobilidade Urbana de Bicicleta.

Da mesma forma, as bicicletas não pagam o Imposto Único de Circulação (IUC). O Código do IUC explica que esta taxa serve para “onerar os contribuintes na medida do custo ambiental e viário que estes provocam” e a mesma é calculada em função das emissões de CO2.

Estas e outras regras, direitos e deveres dos ciclistas foram também recentemente compilados num post no Facebook da Polícia Municipal de Lisboa:

  • Aqui vou eu para a Costa

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    O retrato de uma viagem entre o centro de Lisboa e a Costa de Caparica. Sem descapotável pela ponte, mas com cabelo a voar… de bicicleta.

  • Depois de dar a volta (de bicicleta de Lisboa a Setúbal)

    País

    Missão cumprida. A SIC foi dar uma volta de bicicleta, acompanhando a primeira etapa de uma iniciativa que pretende impulsionar o uso dos velocípedes no país. Ao longo desta quarta-feira, publicámos vários vídeos em direto na página de Facebook da SIC Notícias, que aqui reunimos, em jeito de balanço.

  • Uma volta a Portugal. De bicicleta mas sem licra

    País

    Um grupo de professores propõe-se a repetir o percurso da 1.ª Volta a Portugal em Bicicleta, 90 anos depois. Não se trata de uma corrida, pelo contrário querem provar que qualquer um o pode fazer e promover o uso da bicicleta como meio de transporte pessoal. “Dar a volta” parte para a estrada esta quarta-feira, de Lisboa a Setúbal, tal como em 26 de abril de 1927.

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