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Ministro da Cultura manifesta pesar pela morte de Baptista-Bastos

O ministro da Cultura manifestou esta terça-feira o seu pesar pela morte do escritor e jornalista Armando Baptista-Bastos, com o ministro da Cultura, Luís Castro Mendes, a considerar que se tratou de "grande perda para a cultura portuguesa".

"Figura incontornável do jornalismo português, romancista e ensaísta, natural de Lisboa, Baptista-Bastos iniciou a sua carreira profissional aos 19 anos no jornal O Século. Em 1953 assinou a coluna de crítica 'Comentário de Cinema', n' O Século Ilustrado, iniciando um estilo jornalístico inovador, polémico e extremamente atual que o haveria de caracterizar para sempre", pode ler-se na nota de pesar do ministro Luís Filipe Castro mendes.

O governante recordou que Baptista-Bastos "pertenceu aos quadros redatoriais de diversos jornais e títulos e recebeu inúmeros prémios", como o Prémio Feira do Livro (1966), o Prémio Artur Portela (1978), o Prémio Nacional de Reportagem/Prémio Gazeta (1985), o Prémio Casa da Imprensa (1986), o Prémio «O Melhor Jornalista do Ano» (1980 e 1983), o Prémio Pen Clube (1987) e o Prémio Cidade de Lisboa (1987), exemplificou.

"Fernando Dacosta considerou a sua obra sobre jornalismo 'As Palavras dos Outros' como 'uma referência obrigatória na profissão'", enquanto Luiz Pacheco qualificou a mesma obra como "Jornalismo feito literatura" e "ascendendo ao plano da literatura: na contenção irónica, na sua capacidade de denúncia e intervenção, obrigando-nos à exploração psicológica dos tipos, no humor dos circunlóquios, principalmente no poder de síntese", referiu ainda o ministro.

O jornalista, cronista e escritor Armando Baptista-Bastos morreu esta terça-feira, em Lisboa, aos 83 anos, disse à Lusa a sua mulher.

Entre outros meios de comunicação social, Baptista-Bastos trabalhou nos jornais República, O Século, Diário Popular, onde, na década de 1960, manteve a rubrica semanal "Letra de Repórter". Foi ainda fundador do semanário O Ponto, no qual "realizou uma série de 80 entrevistas que assinalaram uma renovação naquele género jornalístico e marcaram a época", segundo a biografia disponível na página do Jornal de Negócios, onde o texto mais recente que assinou data de 3 de março.

Baptista-Bastos trabalhou também na Rádio e Televisão Portuguesa, na Rádio Clube Português, na Rádio Comercial e na RDP-Antena 1.

Jornalista desde os 19 anos, quando começou n'O Século, Baptista-Bastos estreou-se editorialmente com o ensaio "O Cinema na Polémica do Tempo" (1959), a que se seguiu outro ensaio, "O Filme e o Realismo (1962). Data de 1963 a sua estreia na ficção com "O Secreto Adeus".

Baptista-Bastos é autor de mais de duas dezenas de livros, entre os mais recentes cite-se "A Bolsa da Avó Palhaça", o livro de crónicas "A Cara da Gente" e "As Bicicletas em Setembro".

Publicou mais de uma dezena de títulos de ficção, entre os quais "Cão Velho entre Flores" (1974), "A Colina de Cristal" (1987), "O Cavalo a Tinta-da-China" (1995) e "No Interior da Tua Ausência" (2002).

Lusa

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