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Dicas para perder o apetite disponíveis na internet chegam facilmente a quem procura perfeição

Imagens, conteúdos relacionados com a magreza, por exemplo, levam a uma insatisfação corporal e à procura de um ideal de perfeição pela perda de peso, sublinha Diana Mendes.

Tony Tribble/ AP

Dicas para provocar os vómitos, perder o apetite e disfarçar a fome estão disponíveis na internet e mais facilmente influenciam "pessoas descontentes, à procura da perfeição, deprimidas", segundo a autora de um livro sobre doenças do comportamento alimentar.

"Fome de Perfeição" é o nome do livro de Diana Mendes que pretende acabar com alguns mitos que envolvem as doenças do comportamento alimentar, como estas serem consideradas "doenças da moda".


"O grande objetivo deste livro foi precisamente eliminar este e outros mitos. Quando falamos em doenças de comportamento alimentar falamos em doenças psiquiátricas, definidas nos manuais clínicos", disse à Lusa.


Diana Mendes recordou estudos que mostram que as imagens, conteúdos relacionados com a magreza, por exemplo, levam a uma insatisfação corporal e à procura de um ideal de perfeição pela perda de peso.


"Mas para desenvolver estas doenças não bastam estes fatores ambientais. Há fatores biológicos, genéticos ou de personalidade que conduzem a isso. Basta perceber que há crianças, jovens e adultos que iniciam dietas e não desenvolvem uma anorexia. Não basta querer, há condições prévias ao seu desenvolvimento", adiantou.


A autora defende que se falem sobre estes temas, "até porque o desconhecimento leva a que o diagnóstico seja tardio, haja tratamento por profissionais que não são os indicados, como os nutricionistas que não fazem parte de uma equipa multidisciplinar".


"Estas doenças tendem a tornar-se crónicas quando não são tratadas rapidamente. A internet, as redes sociais, os media em geral, podem contribuir para enviar imagens positivas, que combatam as que contribuem para a insatisfação com a imagem", disse.


Ao longo da sua investigação, Diana Mendes concluiu que "todas as pessoas que tenham estas características podem ser perturbadas ou influenciadas por mensagens que vêm da publicidade, das novelas e filmes e dos sites".


Sobre a resposta do Serviço Nacional da Saúde (SNS), Diana Mendes classificou-as de "bastante vastas, embora, claro, as unidades de maior dimensão consigam conjugar melhor os fatores para tratar também melhor: têm mais recursos, mais recursos dedicados e equipas multidisciplinares".


"Há algumas unidades mais pequenas que assumem essa dificuldade porque têm dois psiquiatras para uma região em que a população está espalhada, com acesso a transportes muito mais limitado e respondem a todo o tipo de patologias psiquiátricas. Uma até me admitiu que estas doenças tendiam a tornar-se crónicas por incapacidade de ter um trabalho mais sólido, mas nunca por falta de vontade".

Lusa

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