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PSD acusa Costa de atingir défice à custa da saúde e educação

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou esta quinta-feira o Governo de ter conseguido atingir o défice à custa de cortes na saúde e na educação, com o primeiro-ministro, António Costa, a sublinhar que não existiram cativações nessas áreas.

No debate quinzenal no parlamento, e depois de António Costa ter elogiado na intervenção inicial "a normalidade" com que decorreu o atual ano letivo, o líder parlamentar do PSD acusou-o de se contentar com "muito poucochinho".

"Normalidade num ano que encerraram escolas, normalidade num ano marcado pelo acréscimo do abandono escolar? Estamos muito longe de poder conjugar o seu discurso com a realidade prática que as famílias sentem", criticou Montenegro.

Na resposta, António Costa disse que, com o atual Governo, "a vida ganhou previsibilidade".

"As pessoas sabem que quando acordam podem ligar o rádio e não vão ouvir um novo corte nas pensões ou salários", disse, numa frase que mereceu mais à frente uma resposta de Luís Montenegro de que os portugueses se arriscam, contudo, a ouvirem na rádio um novo aumento no IMI ou no imposto sobre os combustíveis.

Para Luís Montenegro, o cumprimento do objetivo do défice e a devolução de rendimentos e pensões de forma mais acelerada teve um preço: "Falta de investimento nas escolas e no Serviço Nacional de Saúde", no que foi contrariado pelo primeiro-ministro.

"Ao contrário do que costumam dizer, a reposição das pensões e salários, a reposição dos apoios sociais, não foi feita à custa de cativação na saúde, onde não há cativações, nem nas escolas, onde também não há cativação", respondeu António Costa.

O líder parlamentar do PSD centrou a sua intervenção na área da saúde, recuperando um diploma de execução orçamental publicado na segunda-feira e que determina um corte de 35% nas contratações externas da saúde.

Luís Montenegro leu uma frase dita há um ano no parlamento pelo atual ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, na qual defendia que as contratações temporárias na saúde não poderiam ser invertidas "de forma precipitada", sobretudo em alturas como o verão ou em territórios como o interior.

"O que é que mudou num ano?", questionou o líder parlamentar do PSD.

António Costa disse não ver qualquer contradição entre a frase de há um ano do ministro da saúde e o que ele próprio referiu "num debate na Sic-Notícias" na quarta-feira à noite.

"Expliquei que a redução de 35% não tem de ser todos os dias nem em todas as circunstâncias", referiu, apontando como exemplo o Algarve, onde seria "irracional" ter quadros ajustados a uma procura que só se verifica em três ou quatro meses por ano.

"A redução que tem de existir é no conjunto da despesa no conjunto do ano", frisou.

Lusa

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