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PSD diz que pedido de calamidade pública peca "por tardio"

PAULO CUNHA

O PSD considerou esta quinta-feira que o estado de calamidade pública decretado pelo Governo face à previsão do agravamento do risco de incêndio "peca por tardio" e vem tentar resolver o "estado calamitoso" da Administração Interna.

"O PSD concorda com esta declaração de calamidade pública, julga que ela até peca por tardia, mas não nos surpreende porque este Governo chega sempre tarde e a más horas, o que julgamos é que é uma calamidade que vai, no fundo, tentar resolver a calamidade que é esta descoordenação e falta de liderança", afirmou o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, Carlos Abreu Amorim, em declarações aos jornalistas na sede do PSD/Porto.

O social-democrata explicou que o estado de calamidade "vem tarde" porque "o país vive em calamidade pública desde há dois meses" e a essa calamidade pública é somada ao "estado calamitoso" da Proteção Civil e da Segurança Interna em Portugal.

"Nós assistimos, nos últimos dois meses, a um espetáculo absolutamente deprimente em que várias entidades públicas, que são responsáveis pela Proteção Civil e Segurança Interna, a digladiar-se publicamente e a arremessar culpas umas às outras", frisou. Para o PSD o "grande responsável" por esta situação é o primeiro-ministro que, sublinhou, é "muito lesto a fazer declarações públicas, muito lesto a fazer oposição à oposição, mas infelizmente é menos rápido, célere e eficaz a liderar o seu próprio governo". Na opinião do social-democrata, "nunca" Portugal assistiu a uma descoordenação e falta de liderança "tão grande", não sendo mais tolerável que as várias entidades continuem a apontar o dedo umas às outras. Carlos Abreu Amorim defendeu ainda que é "necessário" que as Forças Armadas colaborem de "forma plena e inequívoca" no combate aos fogos, assim como é "urgente" elaborar um plano de cooperação entre entidades de Proteção Civil, freguesias, municípios e sociedade civil.

"O PSD tem duas sugestões, a primeira é de que é preciso que as Forças Armadas colaborem de forma plena e inequívoca neste combate que o país está a travar (...) esta guerra [dos incêndios] tem de ser travada na primeira linha pelas Forças Armadas que têm de colaborar na vigilância das florestas e nas tarefas de prevenção e combate aos fogos na medida das suas possibilidades", afirmou. Outras das medidas sugeridas pelo deputado é a elaboração de um plano de cooperação entre as entidades da Proteção Civil, os municípios, as freguesias e a sociedade, apelando ao voluntarismo dos portugueses.

"Os portugueses devem ser chamados a estas tarefas de proteção e vigilância das florestas porque as entidades públicas, aquelas que dependem do sistema da Proteção Civil, aquelas que dependem do Ministério da Administração Interna, não estão a conseguir cooperar entre si, não têm liderança e estão mais preocupadas em passar as culpas umas às outras do que acudir a esta calamidade", sustentou.

Carlos Abreu Amorim recordou que a sociedade civil, sobretudo depois da tragédia de Pedrógão Grande, demonstrou uma generosidade e altruísmo "sem comparações" com aquilo que se passa noutros países. "Nunca tivemos um ano como estes", terminou.

O Governo anunciou hoje de que vai declarar o estado de calamidade pública, com efeito preventivos, face à previsão do agravamento nos próximos dias do risco de incêndio, nos distritos do interior das regiões Centro e Norte e alguns concelhos do distrito de Beja e sotavento algarvio.

Lusa

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