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Exército abriu processos disciplinares no caso do furto em Tancos

O Chefe do Estado-Maior do Exército mandou instaurar processos disciplinares a militares do Regimento de Engenharia n.º1, unidade que era responsável pela segurança dos paióis nacionais de Tancos quando estes foram assaltados em junho, disse fonte do Exército.

O tenente-coronel Vicente Pereira, porta-voz do Exército, confirmou, no final da visita que o Presidente da República fez hoje ao Regimento de Paraquedistas -- situado no Polígono Militar de Tancos -, que foram abertos processos disciplinares, sem, contudo, adiantar quantos e sublinhando que os nomes só serão divulgados no final, "tal como aconteceu com o processo dos Comandos".


O Exército anunciou no final de junho a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois 'paiolins', tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros.


Entre o material de guerra furtado dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, segundo informação divulgada na altura pelo Exército.


Vicente Pereira lembrou que, na sequência desse assalto, o CEME mandou instaurar três inquéritos, nomeadamente ao funcionamento do sistema de videovigilância, à intrusão nas instalações e à gestão de cargas, tendo decidido suspender os investimentos previstos para aqueles paióis, transferir o armamento para outros locais e reforçar a segurança.


Por outro lado, fonte do Ministério da Defesa adiantou que o relatório pedido à Inspeção Geral de Defesa Nacional chegou hoje às mãos do ministro Azeredo Lopes, cumprindo o prazo de 60 dias estipulado, mas que este não teve ainda oportunidade para o analisar.


Azeredo Lopes acompanhou esta tarde o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, na visita ao Regimento de Paraquedistas, não tendo nenhum deles prestado qualquer declaração aos jornalistas.
O ministro tem igualmente já em sua posse os relatórios solicitados aos três ramos das Forças Armadas e que, como determinado, foram concluídos num prazo de 30 dias, disse a fonte do seu gabinete.


Em curso está ainda o inquérito aberto pelo Ministério Público por suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.


Durante o período em que decorreram os processos de averiguações determinados pelo Exército, os cinco comandantes das unidades com responsabilidades na segurança do perímetro dos paióis de Tancos foram demitidos, para não interferirem com a investigação, tendo, entretanto, retomado as suas funções.


No Polígono Militar de Tancos, situado no concelho de Vila Nova da Barquinha, distrito de Santarém, estão localizados os regimentos de Engenharia n.º 1 e de Paraquedistas, o Comando da Brigada de Reação Rápida e os Paióis Nacionais de Tancos, que estão sob o controlo da Unidade de Apoio Geral de Material do Exército (UAGME), com sede em Benavente.


Além da demissão dos comandantes destas quatro unidades, três coronéis e um tenente-coronel (Benavente), foi na altura também destituído o comandante do Regimento de Infantaria n.º 15, de Tomar, igualmente responsável pela segurança do perímetro.


Na visita que hoje fez ao Regimento de Paraquedistas, no âmbito das suas responsabilidades como Comandante Supremo das Forças Armadas, Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido pelo comandante da unidade, Hilário Peixeiro, tendo assistido a demonstrações de atividades do curso de Paraquedismo e a Saltos de Abertura Automática e a uma demonstração aeroterrestre com Saltos de Abertura Manual.
O chefe de Estado visitou ainda o hangar do abastecimento aéreo, onde assistiu a um lançamento de cargas, e o Museu das Tropas Paraquedistas, onde assinou o livro de honra, concluindo com uma "fotografia de família" junto ao monumento do regimento.

Lusa

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