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Desde 2000 morreram 165 pessoas em incêndios florestais

Desde 2000, morreram em incêndios florestais 165 pessoas, sendo 2017, com as 64 vítimas mortais de Pedrógão, o mais mortífero desde que há registo, indicou o relatório da comissão técnica que analisou os fogos de junho na região Centro.

De acordo com o relatório da comissão técnica independente designada para analisar os fogos de junho na região Centro, hoje divulgado, entre 2000 e 2017 "registou-se a perda de 165 vidas humanas como um resultado direto de incêndios florestais, das quais 112 civis e 53 operacionais combatentes".

O ano de 2017 foi "o mais trágico desde que há registos, muito mais do que os anos de 2003 e 2005, em que a área ardida foi substancialmente superior", acrescentou a comissão.

O relatório incluiu nos números de operacionais do combate aos incêndios as fatalidades em acidentes rodoviários ou com meios aéreos.Já no caso das perdas das vidas de civis, "muitas vezes, são recorrentes os casos de agricultores idosos, vítimas de fogueiras, queimas e queimadas em relação às quais perderam o controlo".

"As estatísticas sobre fatalidades humanas relacionadas com o fogo indicam, infelizmente, que estas são comuns em Portugal, embora nunca com a dimensão da tragédia de 2017", é salientando no relatório.

O documento apresenta alguns exemplos de anos particularmente mortíferos no século passado, nomeadamente o de 1966, com a morte de 25 operacionais em Sintra, de 1985, com a morte de 14 operacionais em Armamar, e de 1986, com a morte de três civis e de 13 operacionais em Águeda.

Além das vítimas mortais, muitas pessoas ficam feridas nos incêndios e, em 2003, mais de mil pessoas precisaram de assistência médica por causa da inalação de fumo, de queimaduras, de ferimentos e de outros problemas relacionados com o fogo, exemplificou a comissão, salientando ainda que neste ano os danos em edifícios causaram quase 200 desalojados.

O relatório hoje entregue no parlamento analisa os fogos ocorridos entre 17 e 24 de junho na região Centro. O fogo de Pedrógão Grande, que causou 64 mortos e cerca de 200 feridos, deflagrou no dia 17 de junho e só foi extinto uma semana depois, tal como o incêndio que teve início em Góis (distrito de Coimbra). Os dois fogos, que consumiram perto de 50 mil hectares em conjunto, mobilizaram mais de mil operacionais no combate às chamas.

Lusa

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