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Ministra da Administração Interna exigiu demissão, Costa aceitou

"Para mim seria mais fácil, pessoalmente, ir-me embora e ter as férias que não tive, mas agora não é altura de demissões." Constança Urbano de Sousa, 16-10-2017

Manuel Almeida

Ricardo Rosa

Ricardo Rosa

Jornalista

Numa carta enviada ao primeiro-ministro, Constança Urbano de Sousa considera "esgotadas todas as condições" para manter-se no Governo. Sabe-se agora que a ministra já tinha pedido para sair após a tragédia de Pedrógão Grande, agora insistiu para preservar a "dignidade pessoal".

Última atualização às 9:36

"A ministra da Administração Interna apresentou-me formalmente o seu pedido em termos que não posso recusar", escreve o primeiro-ministro numa nota enviada à comunicação social.

António Costa revela também a carta enviada por Constança Urbano de Sousa em que se fica a saber que a ministra pediu a demissão logo a seguir à tragédia de Pedrógão Grande:

"Logo a seguir à tragédia de Pedrógão pedi, insistentemente, que me libertasse das minhas funções e dei-lhe tempo para encontrar quem me substituísse, razão pela qual não pedi, formal e publicamente, a minha demissão."

Contudo, o primeiro-ministro pediu à ministra para continuar a reiterou a sua confiança, na altura.

Leia aqui a carta na íntegra

Constança Urbano de Sousa voltou a pedir a demissão depois dos incêndios deste fim de semana, considerando "que não tinha condições políticas e pessoais para continuar no exercício deste cargo".

Tendo em conta que já estão preparadas as propostas para o Conselho de Ministros Extraordinário, a ministra insiste agora:

"Considero que estão esgotadas todas as condições para me manter em funções, pelo que lhe apresento agora, formalmente, o meu pedido de demissão, que tem de aceitar, até para preservar a minha dignidade pessoal".

António Costa termina a nota agradecendo publicamente à ministra "a dedicação e empenho com que serviu o País no desempenho das suas funções".

A demissão é conhecida quase 12 horas depois do discurso do Presidente da República, em que disse que o Governo tinha de tirar todas as consequências da tragédia provocada pelos incêndios. Marcelo Rebelo de Sousa pediu ontem à noite "um novo ciclo" o que obrigaria o executivo a ponderar "o quê, quem, quando e como melhor servir este ciclo".

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