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Ponte 25 de Abril não está em colapso mas atraso nas obras pode reduzir comboios

(Arquivo)

Rodrigo Antunes

O presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) assegurou esta quarta-feira que a Ponte 25 de Abril não está em risco de colapso, mas salientou que, se as obras não decorrerem brevemente, o tráfego ferroviário terá de ser reduzido.

Carlos Pina foi hoje ouvido na Comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas por requerimentos do CDS-PP, do PCP e do PSD, sobre um relatório relativo à necessidade de intervenções na Ponte 25 de Abril, que devem demorar mais de dois anos.

O responsável assegurou que a Ponte 25 de Abril não está em risco de colapso, apesar de a palavra "colapso" ter sido usada no relatório.

"A palavra 'colapso' é utilizada em termos de engenharia em vários contextos. Na Ponte 25 de Abril já se verificou o colapso nas zonas que têm as fissuras. Pontualmente, nas zonas onde tem fissuras já entrou em colapso. Aquilo que é referenciado neste relatório é que, além da situação pontual, pode ocorrer o colapso de algum elemento estrutural: um conjunto de pontos, uma chapa de aço que está colocada em cima de uma viga. É esse o colapso que está referenciado naquele parágrafo, onde é utilizada esta palavra", explicou.

A eventual ocorrência desta situação "não evolui de imediato para uma situação gravosa para a ponte", que "tem um conjunto de ligações de elementos que, no seu todo, garantem a sua segurança", disse.

"Podem ocorrer pequenos colapsos, pequenos pormenores, por exemplo numa zona um parafuso estar menos apertado, sem pôr em risco a funcionalidade da obra", se esta ocorrer "nos tempos que nós prevemos para esta execução, que é de cerca de três anos", afirmou, assegurando ainda que "o LNEC estará sempre a acompanhar o comportamento da obra para detetar comportamento anómalo".

Carlos Pina realçou que, apesar de o primeiro projeto da ponte, em 1966, já prever que a infraestrutura fosse reforçada para o tráfego ferroviário, a passagem diária de comboios tem representado um esforço para a estrutura.

Caso nas obras não se iniciem num "curto prazo", de acordo com Carlos Pina, terão de ser adotadas "medidas de mitigação, como a redução do tráfego ferroviário".

"As medidas podem passar por diminuição da dimensão dos comboios e reduzir o tráfego de mercadorias", afirmou.

Nesse sentido, "vai existir um plano de monitorização específico para o período da obra" para mitigar os efeitos que estão a ocorrer.

"O cronograma de execução das obras vai no sentido de mitigar os efeitos que estão a ocorrer. Portanto, nas zonas mais gravosas vai atuar-se primeiro", realçou.

O cronograma prevê um ano para se iniciarem as obras e dois para as obras, "pelo que três anos, talvez um pouco mais se atrasarem um pouco as obras".

"Mas nessa altura já foram resolvidas as zonas mais gravosas", sublinhou.

Lusa