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Jerónimo acusa Governo de usar sucesso económico para justificar falta de investimento

MANUEL DE ALMEIDA

O secretário-geral comunista acusou esta quarta-feira o Governo de trocar a "crise" pelo "sucesso" económico para justificar restrições ao investimento público e reposição de rendimentos e direitos, enquanto o primeiro-ministro partilhou os louros com a maioria parlamentar.

"No passado, era em nome da crise que se exigiam sacrifícios que o povo ainda está a pagar. Agora, é o sucesso que serve de mote para fundamentar a continuação dos sacrifícios, aguentar mais uns anos de salários congelados, de serviços públicos degradados ou a meio gás, investimento muito aquém das necessidades para cumprir os critérios do fundamentalismo monetarista e, inexplicavelmente, ir além dele", lamentou o líder comunista, Jerónimo de Sousa, no debate quinzenal com o primeiro-ministro, no parlamento.

Na resposta, o primeiro-ministro, António Costa, rejeitou tratar-se de uma análise justa e distribuiu a responsabilidade pela melhoria da situação do país com os partidos à esquerda do PS, que apoiam parlamentarmente o Governo.

"Invocamos o sucesso porque é merecido. Não é só do Governo. O sucesso é também do PEV, do PCP, do BE, da bancada do PS, de todos aqueles que, no final de 2015, tiveram a coragem de dizer que havia uma alternativa, virar a página da austeridade e lançar uma nova política em Portugal", afirmou o líder do executivo.

O secretário-geral do PCP tinha questionado o primeiro-ministro sobre o atraso no compromisso de valorizar as longas carreiras contributivas, nomeadamente a segunda fase da despenalização por reforma antecipada prometida para 2018 e adiada para 2019, mas também as necessidades de investimento nos setores da saúde, transportes ou cultura, uma "política de unhas rentes".

Jerónimo de Sousa criticou ainda o "monstrengo da ameaça de perigos futuros, que agora também se agita", contrariando que "os perigos vêm, como a vida o provou, de o país ficar nas mãos dos interesses estrangeiros e sujeito às suas imposições", pois "foi a cedência a essas imposições por sucessivos governos que conduziu o país à grave situação a que urge dar resposta".

Lusa

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