País

Ferramenta poderá reduzir 25% das falhas com antiobióticos no pós-cirurgia

Fabrizio Bensch

Um investigador do Centro de Investigação em tecnologias e Serviços de Saúde (Cintesis) recebeu um financiamento de aproximadamente 170 mil euros para criar uma ferramenta que poderá reduzir 25% das falhas na administração de antibióticos em casos de cirurgia.

A bolsa de 200 mil francos suíços - cerca de 170 mil euros - atribuída ao investigador Américo Agostinho pelos Hospitais Universitários de Genebra (HUG), será aplicada no desenvolvimento de um sistema computadorizado de apoio à decisão médica, que visa melhorar a administração da profilaxia cirúrgica (medidas para prevenir outras doenças, neste caso infeções que possam decorrer no pós-operatório), informou hoje o Cintesis.

Neste projeto, será avaliado o impacto clínico da ferramenta na prevenção de infeções do local cirúrgico nas intervenções da anca, joelho, cólon, reto, neurocirurgias lombares e cirurgias cardíacas.

Com o auxílio da ferramenta, serão recolhidos dados dos doentes que já estão no sistema informático do hospital (tipo de cirurgia, peso, alergias e se tem ou não agentes microbianos patogénicos, por exemplo) para propor o antibiótico mais adequado e relembrar se este deve ser readministrado, no caso de a operação se prolongar.

"Da mesma forma que um GPS indica o caminho a seguir, o sistema que estamos a desenvolver vai indicar aos médicos, no bloco operatório, que antibióticos administrar, em que quantidade e com que intervalo de tempo", indicou Américo Agostinho, referido em informação do Cintesis.

De acordo com o investigador, apesar de existir "sempre a possibilidade de [os médicos] seguirem ou não essa indicação", este lembrete vai permitir diminuir os erros de administração de antibióticos.

Segundo o Cintesis, as orientações internacionais apontam a existência de um antibiótico recomendado para cada operação, em função do risco de infeção associado a essa cirurgia. No entanto, devido a vários fatores (urgência, inexperiência, falta de tempo, entre outros) "registam-se taxas de erro em torno dos 30% na administração de antibióticos na profilaxia cirúrgica", o que leva a um aumento das infeções hospitalares e da resistência aos antimicrobianos, alertou Américo Agostinho, especialista em prevenção da infeção.

As infeções hospitalares, avançou ainda o Cintesis, foram reconhecidas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como "um dos fatores que mais comprometem a segurança dos doentes, no âmbito da prestação de cuidados de saúde".

"As infeções do local cirúrgico são responsáveis por 20% a 30% das infeções hospitalares, mas são elas que têm maior influência em termos de morbilidade, mortalidade e despesas para os hospitais e para a sociedade", lê-se no resumo do projeto, igualmente referenciado pelo Cintesis.

As taxas de infeção do local cirúrgico variam entre 2% a 20%, dependendo do hospital e tipo de cirurgia, com uma taxa de mortalidade estimada entre 0,4 a 0,8%, acrescenta a informação disponibilizada pelo centro de investigação.

O especialista explicou que, segundo estes dados, por ano, a nível mundial, cerca de sete milhões de doentes desenvolvem uma infeção do local cirúrgico, das quais morrem um milhão.

Este projeto está a ser desenvolvido no âmbito da tese do investigador no Programa Doutoral em Investigação Clínica e em Serviços de Saúde (PDICSS), da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Além de Américo Agostinho, que é enfermeiro especialista em prevenção e controlo da infeção, no serviço homólogo nos HUG, participam neste projeto, designado 'Improving perioperative antimicrobial prophylaxis by the use of a computerized decision support system', dois investigadores do CINTESIS, sete dos HUG e um da Universidade de São Paulo.

Lusa

  • Médicos nas prisões para rastrear e tratar reclusos com VIH e hepatites

    País

    Os médicos infeciologistas, gastrenterologistas e internistas vão passar a deslocar-se às prisões para cuidar dos reclusos infetados com VIH e hepatites B e C e vão realizar-se rastreios à entrada, durante e final da reclusão. Este modelo vai estar em vigor em 45 estabelecimentos prisionais do continente.

  • Gaza de novo à beira da guerra
    2:30