Contas Poupança

Oferecemos o IVA? Não se deixe enganar!

É cíclico. Quase todos os meses, há um supermercado, hipermercado, loja ou oficina que numa data específica oferece o IVA, como se fosse um desconto ou promoção espetacular. Mas será assim tão bom?

© Jose Manuel Ribeiro / Reuters

Quando ouvimos na publicidade que oferecem o IVA, pensamos o quê?

- “23% de desconto! Vamos aproveitar para fazer as compras que preciso, em quantidade”.

Bem, não é exatamente assim. Esta dica é matemática pura. Se as contas com percentagens não são um segredo para si, pode passar à frente. Isto é apenas para os mais distraídos.
Primeiro. Quem paga o IVA não são as empresas. Somos nós. Eles compram o produto que lhes interessa vender e acrescentam ao preço deles 23%, que é o IVA que depois nós, consumidores, pagamos e que o hiper/supermercado faz o favor de receber da nossa parte para logo a seguir entregar ao Estado.

Vamos a um exemplo. Uma coisa custa 1 euro. Se oferecem o IVA, quanto é que eu vou pagar? 77 cêntimos (1 euro–23 cêntimos)? ERRADO!

Porque, para um produto custar 1 euro na caixa registadora, ele vai render ao supermercado 81 cêntimos. 81 cêntimos mais 23% é que dá 1 euro. Se tem dúvidas, teste na sua máquina de calcular no telemóvel.

Agora imagine que planeia comprar um produto que custa 30 euros a pensar que vai poupar 23%. Vai pensar: 30 euros menos 23% dá 23,10 euros. Errado. Vai poupar, sim, mas vai pagar muito mais do que isso. Na caixa vai pagar 24,39 euros. Porque 24,39 euros mais 23% é que dá os 30 euros.

Mas há mais…

É que os supermercados contam com a nossa cabeça a marcar os 23%. Mas a maior parte dos produtos de alimentação e afins têm o IVA a 6% ou a 13%. Ou seja, o que estão a oferecer nessa categoria é um desconto “ridículo” - e se calhar estamos a comprar em quantidade pensando que vamos comprar leite (se estiver incluído na promoção – às vezes não está) com 23% de desconto (o que seria ótimo).

Para terem uma ideia: um pacote de leite que custe 46 cêntimos, com a oferta do IVA fica “apenas” a 43 cêntimos (o IVA é só de 6%). Só 3 cêntimos mais barato. Há descontos de 10% ou 15% quase de 15 em 15 dias em vários sítios. Não precisa de ir a correr atrás deste IVA.

Então como é que eu faço a conta para não ser enganado?

Simples. Quando estiver em frente ao produto, basta abrir a calculadora do telemóvel, pegar no valor do produto em promoção e dividi-lo por 1,23 (se o IVA for de 23%), 1,13 (se o IVA for de 13%) ou 1,06 (se o IVA for de 6%). O resultado que der, é o valor REAL que vai pagar na caixa. É o valor sem o IVA.

Um exemplo: um pequeno eletrodoméstico que custe 45 euros custará quanto com a oferta do IVA? A conta correta é 45:1,23 = 36,59 euros. É este o valor real que vai pagar.
A conta errada seria 45 euros–23% = 34,65 euros (o IVA não é subtraído ao valor total, porque o valor de venda atual já inclui o IVA). São quase 2 euros de diferença. Agora imagine que é uma compra de 400, 500 euros ou mais (eletrodomésticos ou mobílias).

Estas promoções não têm nada de ilegal. Até podem ser boas. Mas tem de ter consciência do valor de poupança real que representam - e não uma poupança imaginária que depois não se concretiza.

Não se deixe enganar. Todas as promoções são boas se as soubermos avaliar e aproveitarmos as que realmente interessam.

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