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10 vezes sem juros: será mesmo assim?

Se não estiver atento à TAEG, pode estar a perder dezenas ou centenas de euros, pensando que está a poupar (ou pelo menos, a facilitar a sua vida sem qualquer custo). Errado.

© Hannibal Hanschke / Reuters

Comecemos pelo meu caso pessoal. Pensava que tinha pago a minha Bimby sem juros e afinal paguei 9,1% de juros. Só descobri isto 6 anos depois, ou seja, agora. Porquê? Porque os consumidores normais ainda percebem muito pouco de finanças e marketing. Mas aos poucos estamos a aprender e a descobrir afinal para onde vai o nosso dinheiro - que parece que voa.

Estava então eu a arquivar faturas quando dei pelos documentos da compra da Bimby, em 2011. Nessa altura sabia lá eu o que era a TAEG. Basicamente, convenceram-me a comprar a Bimby em 3 anos sem juros (era a promoção na altura). Para que conste, não estou nada arrependido de a ter comprado. A questão é mesmo o “em 3 anos sem juros”. De facto, diz a carta com os dados do contrato que a TAN (Taxa Anual Nominal) é ZERO. Portanto, a Bimby foi comprada MESMO sem juros. Nenhum engano.

Mas para pagar as prestações durante 3 anos, a empresa que vende a Bimby tem um protocolo com uma financeira. Ora, na tal carta, fui informado de que a primeira mensalidade é de €131,05 e que a partir daí será de €27,36. Agora, vejam a justificação: a primeira mensalidade é mais elevada, porque “inclui a comissão de processamento” e é assim mais alta “porque é acrescida do imposto de selo”. Ou seja, quer fazer passar a mensagem de que estes mais de 100 euros a mais (€122,65) na primeira mensalidade são por causa dos impostos.

ONDE ENTRA A TAEG?

Na carta da financeira eles são obrigados por lei a dizer qual é a TAEG. Eu na altura li e fiquei na mesma. Agora que li com outros olhos, vejo como fui enganado pelos 36 vezes sem juros. Os “juros” estavam todos na primeira prestação! 122 euros. E nem dei por nada. A Bimby custava €966 e acabei por pagar por ela €1.088,65. Porque foi “sem juros”. E tinha na altura dinheiro para a pagar a pronto. Achei apenas que era mais cómodo pagar a prestações porque era “sem juros”.

E legalmente, de facto, não eram juros, era a tal abertura de dossier e a comissão de processamento e o imposto. Tudo junto, acabei por comprar a Bimby com 9,1% de “juros”, acreditando piamente que o estava a fazer sem juros. A partir de agora olhos bem abertos. Mesmo que digam que é sem juros o que vão comprar, peçam sempre a TAEG ou a TAER, no caso do Crédito à Habitação.

Se não estiver atento à TAEG pode estar a perder dezenas ou centenas de euros, pensando que está a poupar (ou pelo menos, a facilitar a sua vida sem qualquer custo). Errado.

Um colega da SIC veio ter comigo com mais um exemplo. Ia comprar um iPad. Tinha recebido um mail com uma “promoção” de um iPad que podia pagar em 10 vezes sem juros. Dava-lhe jeito. Já tinha decidido que ia comprar ali.

Mas depois foi ler as letras miudinhas e descobriu que o “sem juros” tinha afinal uma TAEG de 13%. O que é a TAEG? Basicamente é a taxa que reflete todos os custos (as taxas e taxinhas) de cada crédito. Há propostas no mercado de 10 vezes sem juros com TAEG de 0%. É essas que deve procurar. O meu colega optou por comprar numa grande superfície também em várias prestações sem juros, que de facto tinha TAEG de 0%.

Devagarinho, estamos a aprender a lidar com os asteriscos e as letras pequeninas. Se às vezes se pergunta para onde vai o dinheiro – porque desaparece tão depressa – parte da resposta está nestes pequenos pormenores.

Nestes casos estamos a falar de equipamentos relativamente baratos (bem, a Bimby ainda é carota), mas imagine que é a compra de um carro. Pode acontecer que lhe digam na publicidade ou no stand que pode pagar em 1, 2 ou 3 anos sem juros. E será verdade. Mas se a TAEG (nas letras pequeninas) for de 6, 7 ou 8 % (por causa da tal comissão de abertura de dossier e afins) vai estar a pagar muitas centenas ou até milhares de euros de “juros” quase sem dar por isso. Simplesmente porque paga tudo à cabeça e nunca mais se vai lembrar disso.

TAEG. Não se esqueça. E se aceitar os contratos, pelo menos que seja conscientemente. Estamos sempre a aprender. Defenda o seu dinheiro. Custa a ganhá-lo.

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