Futuro Hoje

Realidade mista em Windows pode ser um passo de gigante

Lourenço Medeiros

Lourenço Medeiros

Editor de Novas Tecnologias

Eu diria que discretamente a Microsoft lançou mais uma atualização para o seu sistema operativo, chamam-lhe Fall Creators Update, quase parece um poema.

Tão discretamente que o site português nem faz referência a esta atualização. Aliás, em toda a comunicação da empresa parece que há mais interesse em vender os novos Surface Pro, grandes máquinas ao que tudo indica. Mas o que fizeram agora pode ser mais importante do que mais uma máquina.

aqui tinha falado do que a Apple trouxe em termos de realidade aumentada para o iPhone. Mas colocar realidade aumentada em todos os PC com Windows, que estejam atualizados, é obra. A Microsoft prefere chamar-lhe realidade mista por juntar elementos virtuais à realidade. Dentro de poucos dias uma enorme multidão terá acesso à realidade mista da Microsoft (este upgrade, como agora é habitual, é gratuito). Para muitas pessoas dará acesso pela primeira vez a esta nova forma de nos relacionarmos com o mundo virtual.

A Microsoft já tinha bastante experiência nesta área. Tem um dos melhores dispositivos, os Hololens. É um verdadeiro computador que colocamos na cabeça e através de umas lentes, com um campo de visão relativamente estreito, vemos objetos virtuais sobre a realidade. Aqui está uma reportagem do Futuro Hoje com um exemplo prático.

Agora traz a mesma técnica para qualquer computador atualizado. Para começar a brincadeira permite colocar uns bonecos onde queiramos, dimensionar e depois podemos deslocarmo-nos e eles ficam onde os deixámos, na realidade. Ainda não é perfeito mas para lá caminhamos.

Ao mesmo tempo a marca anunciou que cinco dos seus parceiros vão vender óculos e comandos de mão para nos podermos relacionar ainda melhor com esta realidade mista. O exemplo que me ocorre sempre é estar a jogar um jogo de tirinhos e os inimigos aparecem literalmente nas portas e janelas da divisão em que estamos a jogar. Os comandos parecem-me ainda relativamente caros, com preços anunciados na casa dos 400 dólares mas, mais uma vez, estamos no caminho.

Mais fantástico ainda, ao fazer o upgrade ficamos logo com as ferramentas que ajudam a criar os nossos próprios objectos 3D, que depois podemos “trazer” para a realidade. Quem tenha acesso a uma impressora 3D pode mesmo fazer objetos reais a partir das suas criações virtuais. Curiosamente, a PlayStation já permitia desenhar em 3D há muitos anos. Mas como era uma aplicação fechada sobre si própria não passou de uma brincadeira para quem queria explorar a máquina em todas as suas facetas, e para crianças mais criativas.

Mais fantástico ainda, se me permitem ir elevando o nível de espanto, a Microsoft traz todas as aplicações da sua loja de programas no Windows 10 para este ambiente de realidade mista, um pouco como no filme "Minority Report" - vai ser algo parecido e vamos usar as mãos para navegar neste meio (ainda com os comandos, por enquanto).

Claro que a maioria destas aplicações não estão de todo preparadas para a realidade mista. O que acontece é que vamos poder navegar num ambiente tridimensional, as imagens que vi parecem de uma casa de arquitectura muito moderna rodeada de uma bela paisagem, e nas paredes das salas teremos acesso às aplicações que, na prática, vão flutuar frente aos nossos olhos, mas funcionando em modo bidimensional igualzinho ao que seria se as estivéssemos a ver num ecrã.

O sistema de aplicações para os óculos de realidade virtual (não mista), da Samsung, funciona mais ou menos da mesma forma.

Sinceramente, a abordagem da casa tridimensional onde navegamos para ir ao encontro do que queremos parece-me completamente errada. É um engano muito repetido ao longo de anos, quando os designers e os informáticos ficam fascinados com as possibilidade da tecnologia, sobrepondo a forma à função. Este tipo de ambiente implica que se quero abrir uma determinada aplicação me desloque virtualmente de sala em sala, passando por corredores, até chegar ao local onde posso, por exemplo, acionar a calculadora. Tende a parecer chato e cansativo. Mesmo que o número de clicks fosse o mesmo a ideia de nos deslocarmos a um destino quando já conhecemos o caminho e queremos simplesmente estar lá, torna-se muito irritante à segunda vez que o fazemos.

No início do século muitas empresas quiseram fazer grandes lojas virtuais, tipo centro comercial, onde navegávamos até chegar a uma loja e depois escolhíamos o que queríamos comprar nas prateleiras, virtuais claro. É uma imitação da realidade absolutamente desnecessária e que se torna aborrecida, se quero usar a calculadora não me interessa nada andar a passear em corredores. Obviamente, no caso das lojas, o que vingou foi a simplicidade de uma Amazon que nos orienta o mais possível para as compras sem distrações indesejadas pelo caminho.

No entanto, e mesmo tendo eu esta opinião, começar desde já a tentar integrar todas as aplicações no mundo de realidade mista é um grande passo que, em teoria, poderia dar alguma vantagem à Microsoft, não estou a ver mais ninguém que o tenha feito.

Eu diria que, com os lançamentos recentes da Apple e agora da Microsoft, estamos para aí na idade do ferro da realidade aumentada, mas é toda uma nova linguagem que, em conjunto com a voz e a Inteligência Artificial, vai mudar muito a nossa relação com as máquinas.

Veja também: Um dos exemplos mais avançados de realidade virtual na PlayStation

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